Este mês quase não havia
Cloreto. Na onda de greves que houve por aí, e pensando nas que hão-de vir, decidi
fazer greve à escrita, já que, por muito que se escreva, ninguém leva a sério o
que as palavras promovem. Mas a secretária de redacção deste jornal, atenta às
faltas e aos atrasos dos mais distraídos (os jornais não se fazem com
grevistas), enviou-me uma mensagem que me despertou para a vida: “Ou envia o Cloreto HOJE (dia 16) ou é
despedido com justa causa!”
A minha vida foi, desde
sempre, orientada, condicionada, comandada, leccionada, protegida, abençoada
por Mulheres de armas – com três cês no cognome: corajosas, competentes
e carinhosas. Contudo, intransigentes. Dezenas delas passaram por mim ao
longo destes anos e fizeram de mim o que sou hoje: as minhas Avós, a minha Mãe,
a minha Professora Primária, as minhas muitas Professoras do Ciclo, da
Secundária, da Universidade de Lisboa e de Évora, a minha Editora, manda-chuva
da Tágide, empresa editorial que publica os meus contos de Vila Nova, as minhas
trinta e tal Coralistas, pacientes e brutalmente amigas, a minha Mulher, a
minha Filha, a minha Sogra, as Cunhadas, as Tias e as Primas e a… Secretária
deste jornal que continua, pacientemente, à espera das minhas divagações
mensais… nem sempre muito católicas.
Os directores, os directores
adjuntos, os presidentes, os doutores e engenheiros, os administradores, os
patrões, os líderes, os cronistas e os jornalistas, os repórteres, todos
importantes, altamente vaidosos do seu papel de gestores, de informadores, de
chefes, inchados com os títulos académicos e com os cargos, vistosos nas suas
palavras e nas suas gravatas sempre na moda… destes todos, nenhum teria
visibilidade, nenhum veria a luz do dia, nenhum seria conhecido na rua, sem a
gestão profissional que Maria Manuel Casa Branca, com o apoio de algumas
colaboradoras, faz do espaço e dos muitos escultores da palavra e da notícia
que mensalmente colaboram em cada edição. Por isso, este mês, é duplamente
graças a ela que estão a ler este pequeno tributo.
E hoje não escrevo mais. A crise é o que
se sabe, os ladrões andam por aí prontos para levar as galinhas, as raposas
continuam a ser nomeadas responsáveis pelos galinheiros e o Governo está
prestes a dar de frosques, cada vez mais débil e impotente. O que podemos nós
esperar mais? Aguardemos, atentos, e vamos poupar nas palavras, porque não
sabemos quando é que elas nos vão ser mais precisas. Não deverá faltar muito.
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“Ou envia o Cloreto HOJE
(dia 16) ou é despedido com justa causa!”, li eu na desesperada mensagem, hoje
de manhã.
Tá bem, abelha! E depois?
Como é que iriam ocupar a quase meia página mensal de texto inteligente que eu
lhes proporciono? Como iriam ficar a par das idiossincrasias da minha fofa, a
quem dei hoje merecida dispensa?
Até para o mês que vem.
(Espero.)