quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Jingon Bels! Jingon Bels! Nã, nã, nã nã, nããããããã!!!


 
Eu e o meu amigo Prof. Carlos Cebola, nos Cantares de há três anos
 
Isto é que vai ser um sacrifício escrever o Cloreto de Dezembro!

Não pelo jornal "O Montemorense" e colegas, que me merecem o maior respeito. Muito menos, pelos meus 10 leitores que me cumprimentam com entusiasmo sempre que me encontram, dizendo que o mês já não lhes corre bem se não lerem as minhas diatribes, quantas delas sem qualquer sentido. O sacrifício é mesmo por causa da época que atravessamos. É que o Natal é, para mim, a mais chata, a mais hipócrita e a menos verdadeira de todas as festividades religiosas ou civis que somos, praticamente, obrigados a celebrar.

Eu passo a explicar e depois calo-me porque, caso contrário, aquele cheque gordalhucho que a minha sogra me prometeu de presentinho é capaz de ser rasgado antes do dia 24 à meia- noite, como retaliação. E com a sogra não se brinca.

Ora bem. Em primeiro lugar, o Menino Jesus não nasceu no dia 25 de Dezembro; depois, não sabemos se havia lá vaquinhas e burrinhos na gruta do presépio (o Papa emérito Bento XVI anulou a vaca, lembram-se?). Também não está garantido, a cem por cento, que havia pastores e ovelhinhas a pastarem por ali, num sítio onde nem ervinhas havia; por fim, aquela cena do anjo a cantar “Glória a Deus nas Alturas…” também me parece uma situação de encomenda e coisas de encomenda é cena que não me assiste.

 Esta é só a primeira parte.

 Em segundo lugar, quando me dizem que o Natal é a Festa da Família, durante a qual todos devem estar unidos e amigos, à volta da mesa, a comerem um peru, que, coitado, nem culpa teve do nascimento de Cristo, ou a malhar umas couves e umas batatas só porque os pais, os avós, os bisavós, os trisavós, já o faziam…. É uma cerimónia que me irrita. E quem não gostar de bacalhau, como o meu vizinho de cima? E quem não gostar de couves, como o meu filho Pedro? São excluídos da família neste período festivo? Já não podem celebrar o Natal?

E ainda mais… A cena das prendas. Então, se na família gostam tanto uns dos outros, por que é que só oferecem presentinhos agora, nesta altura do ano? E, ainda por cima, eu tenho o azar de receber sempre a mesma coisa. Em vez de um belo cheque ou de umas obrigações do tesouro, toda a gente decide oferecer-me peúgas, boxers e até uma cueca fio dental. Não há paciência.

             E, finalmente, para terminar em beleza, há a questão da família. Por que é que há pessoas que são obrigados a sorrir, a cumprimentar, a receber, a estar à mesa com pessoas da família que não têm por elas a menor consideração? Não acham isto uma estupidez da maior que há? Por acaso, cá no condomínio, não é o caso, porque todos me adoram, amam e veneram… mas há por aí com cada cena fingida que é de um tipo desatar a chorar!

Pronto. Já disse o que queria dizer. A única coisa, mas a única mesmo, que eu gosto no Natal é dos Cantares ao Menino e do poema inédito que o professor Carlos Cebola escreve todos os anos para a iniciativa. De resto, para mim, é Natal todos os dias, porque todos os dias há pessoas que precisam de mim e eu preciso delas.
            E assim se passa o ano todo, num “Jingon Bells, Jingon Bells” quotidiano.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Galinhas Mentecaptas


Acabei de saber o motivo pelo qual a soprano montemorense Vera Guita, radicada na Suécia, foi IMPEDIDA pela Federação Portuguesa de Futebol de ter cantado o Hino Nacional antes do jogo Suécia-Portugal: SUPERSTIÇÃO. 
Em 2002, a Marisa cantou "A Portuguesa" e Portugal perdeu com a Coreia. Esta informação, recebida há minutos, só veio confirmar que, quem dirige o futebol desta espécie de país, é simplesmente um grupo de galinhas mentecaptas.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Vera Guita impedida de cantar o Hino Nacional no Suécia-Portugal




Vera Guita, portuguesa, natural de Montemor-o-Novo, professora e dona de uma voz excepcional, radicada na Suécia há dois anos, recebeu o convite da Embaixada de Portugal naquele país para cantar "A Portuguesa" no estádio de Sola, no dia 19, antes do jogo Suécia-Portugal.
Aceitou, preparou-se e, já no estádio, não é autorizada pela Federação Portuguesa de Futebol a cantar o Hino Português. Segundo as mentes brilhantes da FPF... não é hábito "A Portuguesa" ser cantada 'a cappella' e a solo. 
A Federação Portuguesa de Futebol é gerida por uma cambada de incompetentes, incultos, grunhos e vaidosos de merda! Rua com eles!

sábado, 16 de novembro de 2013

As escolas das tias são as melhores, tá a ver…?!!!





Quando leio os já tristemente célebres rankings, onde se posicionam as escolas do país, da melhor até à pior de todas, fico três dias a rir, mas de estupidificante tristeza, por perceber que os jornalistas levam muito a sério notícias destas, que são obrigados a veicular, e por verificar que a maioria dos portugueses acredita que aquilo é uma verdade verdadeira, uma realidade real e indesmentível.
Ora reparem lá, se fazem favor: então as escolas privadas, os colégios finos, cheios de nove-horas e má-na-sê-quê, onde andam os filhos e os sobrinhos das tias e dos tios, que têm massa de sobra, onde não faltam livros, nem papel para fotocópias, nem papel higiénico, não hão-de ficar à frente das escolas públicas? Nesses colégios só entra quem tem dinheiro para pagar as mensalidades. Esses colégios só são frequentados por alunos, cujo ambiente familiar é, de longe, diferente dos ambientes familiares de muitos dos alunos que frequentam as escolas públicas.
Não entendo a lata dos que fazem essas pesquisas e chegam a tais conclusões, assim, sem mais nem menos. Afinal, entendo. É porque não sabem rigorosamente nada do que se passa nas escolas públicas. Mas eu explico: nas escolas públicas, pagas com os nossos dinheiros, há alunos com bom ambiente em casa, com livros, com Internet, com pequeno-almoço todos os dias, a tempo e horas, com almoço e jantar, com pais e mães preocupados. Mas também há alunos com necessidades educativas especiais que não podem, nem têm, de fazer exames nacionais. Também há alunos de famílias desagregadas, alunos que não tomam o pequeno-almoço em casa porque, simplesmente, não têm o que tomar ao pequeno-almoço. As nossas escolas públicas também são frequentadas por alunos que não têm livros, porque o sistema económico familiar não o permite. Porque ou o pai ou mãe se encontram em situação de desemprego. Porque a escola ainda é o único lugar onde podem tomar uma refeição quente diária. (E não é preciso sair de Montemor para constatar este tipo de situações). E, depois, vêm-me esses gajos das estatísticas mostrar as notas dos alunos sem revelar, de facto, honestamente, o que pode originar esses resultados? E se fossem à fava? 
E há mais uma coisa. Uma investigação de um canal de televisão descobriu que, afinal, há colégios privados a receberem dinheiros do Estado, isto é, dinheiro meu e seu que, em vez de ser gasto naquilo que os nossos filhos precisam nas suas escolas, anda a ser gasto nas finesses da rapaziada dos privados. Desculpem, mas isto não se aguenta. Não admito que, na minha escola, comece a haver racionamento de materiais por falta de verba, quando essa verba é canalizada pelos mecanismos do Estado, pelos caminhos mais estranhos e ínvios, para as escolas das tias. Não admito. E estou a borrifar-me para quem discorde. Só posso concluir que este país e este Governo continuam a ser o que sempre foram desde há uma década a esta parte: uma vergonha sem regresso.

Não foi por acaso que Guterres, Durão Barroso e José Sócrates fugiram como o diabo foge da cruz.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Coral de São Domingos em Concerto na Mãe d'Água, em Lisboa



(Fotos Enric Vives-Rubio)


No dia 1 de Outubro, o Coral de São Domingos apresentou-se em concerto na Mãe d´Água das Amoreiras, para celebrar o Dia Nacional da Água, o Dia Mundial da Música e o 26.º aniversário do Museu da Água. 
Obrigado à organização pelo convite e pela forma espectacular como nos receberam.

sábado, 12 de outubro de 2013

Gosto do “jornalismo de proximidade”




          Não sei se vou ferir susceptibilidades. Se assim for, nem sequer lamento, porque esta coluna é, por enquanto, de reflexão em liberdade. Sou um observador atento e implacável da comunicação social local, embora pouco me manifeste sobre esse assunto. E, quer acreditem, quer não, Montemor precisa de uma comunicação social local renovada.
Fazer jornalismo de proximidade é uma actividade difícil, que requer, sobretudo, sensibilidade em relação ao público-alvo das notícias que se publicam. Vivemos em Montemor, conhecemos toda a gente, somos amigos de políticos e de directores de instituições públicas e privadas, e este tipo de relacionamento leva-nos, quantas vezes, a pensar duramente antes de publicarmos qualquer notícia. Não deveria ser assim.
Enquanto trabalhei como jornalista, numa equipa que me acompanhou durante 14 anos, cometi erros, fizemos algumas inimizades, algumas amizades, envolvíamo-nos diariamente, muitas horas por dia, na vida da comunidade e nunca deixámos de promover Montemor, os seus valores, independentemente das suas origens e porta-vozes. Provocámos a discussão sobre o que estava errado, sem nunca nos comprometermos politico-partidariamente com qualquer força da região. Desbravámos caminhos e fizemos perguntas incómodas. Fomos ameaçados, várias vezes, com o espectro do processo criminal e dos tribunais. Nunca cedemos. Nunca demos guarida a partidos ou religiões. Todos e todas tiveram o mesmo peso, quando as notícias que nos veiculavam eram de interesse público.
Mas não fizemos apenas jornalismo. Tentámos intervir na sociedade montemorense, ainda que contra ventos e marés, criando uma bolsa de estudo para o ensino universitário, auxiliando com peditórios públicos quem a nós se dirigia, com problemas graves e aparentemente sem solução. Segundo me é dado a observar, pouco ou nada se tem feito nessa área, agora que as necessidades são de maior monta. Quando terminámos a nossa missão, e se esgotou o nosso tempo, regressámos a casa mas não de consciência tranquila. Simplesmente porque, um dia que ela esteja tranquila, não vale a pena continuar a viver.
O jornalismo de proximidade que se faz hoje em Montemor tem de ser muito mais do que falar das intenções do Papa, dos problemas da Europa ou do que se passa do outro lado do mundo. Para isso, temos os jornais nacionais, as televisões, as rádios. O jornalismo de proximidade é outra coisa: é falar do buraco na rua, do atraso na construção dos esgotos, nos atrasos dos pagamentos das bolsas às famílias necessitadas. É elogiar o que é de elogiar e criticar o que é de criticar. É dar voz a quem não a tem. É, sobretudo, dar tratamento igual a todos, sem excepção, e sem pôr de parte os que não pertencem ao mesmo grupo de ideias. E isso, muitas vezes, foge um pouco aos compromissos editoriais da comunicação social local.
Recordo o jornalista Pedro Coelho, quando afirma o seguinte na sua dissertação de mestrado[i]: “O pacto de proximidade deve reflectir a identidade local e essa identidade nunca se molda num mundo perfeito. No caso do Alentejo, essa identidade é fruto de um passado de privação, de uma submissão silenciosa e contida, de uma clivagem social acentuada.”
Talvez o jornalismo de proximidade que hoje se faz em Montemor, ou noutra qualquer cidade de província, ainda viva com esse estigma que lhe impede uma total liberdade e a verdadeira proximidade na sua mais profunda essência.  
Fica a questão. Pensem nela, se quiserem.


[i] Coelho, Pedro, A TV de Proximidade e os Desafios do Espaço Público, Lisboa, Livros Horizonte, 2005

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ponto único




As palavras “crise”, “Troika”, “impostos”, “austeridade”, “roubo”, “malandragem” e outras cada vez de mais baixo nível, diminuíram um pouco de frequência nas férias mas voltaram agora em força, perante as novas medidas do Governo para baixar o défice.
É tradição, também nesta altura, falar da escola que recomeça para milhares de estudantes portugueses, também eles a viverem as consequências da má gestão do nosso país. Pois é verdade: o ano lectivo já começou e quase ninguém refere a importância que cada ano escolar, que cada escola, que cada turma e que cada professor tem para o desenvolvimento do país e para a saída da maldita crise (que já utilizada como desculpa para tudo).
Os professores, agentes fundamentais do progresso do país (porque é na escola que tudo começa), têm sido maltratados, desconsiderados, desprezados, porque nenhum dos últimos Governos entendeu a importância do ensino para que o país possa atingir uma verdadeira modernidade a par dos outros que, connosco, são obrigados a conviver nesta velha Europa. Em Portugal investiu-se em escolas novas nos últimos anos, mas isso não é suficiente. É, aliás, acessório. O importante são as pessoas e não os edifícios que servem, muitas vezes, e só, para garantir a vitória nas eleições ou um ou outro momento de show-off do mesmo tipo. Com as mudanças na educação, o Ensino tem sido a área na qual, cada vez mais, os professores se tem de preocupar com burocracias, ficando com cada vez menos tempo para preparar as suas aulas, fazer as suas investigações, dar a atenção que cada turma merece e a que cada aluno tem direito. E há alunos, como se sabe, que necessitam de atenções especiais e exigentes por parte dos docentes.
Já comecei o ano lectivo. Com a “ciguêra” habitual. Porque continuo a gostar de ensinar e de passar aos outros aquilo que sei. E cada ano que começa é como se fosse o primeiro, que já lá vai há trinta anos. Mas eu não quero que os meus alunos sejam candidatos à emigração, como alguém sugeriu há uns tempos. Quero que fiquem cá, para poderem participar na reconstrução de um país que nós, ingénuos, deixámos ruir. É por isso que, independentemente das políticas educativas de cada Governo, lançadas a partir de gabinetes onde poucos conhecem a realidade de uma escola, continuo a preocupar-me mais com os alunos e menos com os papéis. A estes últimos não consigo dar-lhes a importância que eles querem que eu dê. Aos primeiros dou-lhes mais atenção do que o Estado, através destas políticas, quereria que eu desse. O aluno está sempre em primeiro lugar e eu, para lhe dar um apoio especial, não preciso de preencher dezenas de formulários e relatórios. Preciso apenas de estar com o aluno. Preciso apenas de tempo.
O elemento fundamental desta grande questão não é o Governo nem os políticos, em quem já ninguém acredita. São os alunos e os professores os pontos fulcrais a ter em conta. Os primeiros devem querer aprender e os segundos devem querer ensinar (e ter uma escola onde ensinar).
Legislar que se devem formar turmas com 30 alunos (com um objectivo meramente economicista e com a consequência inevitável do despedimento de milhares de professores que faziam, de facto, falta) é de quem não percebe nada de Ensino e muito menos deu uma única aula a sério na vida.
Mesmo assim, e para contrariar estas situações absurdas, deve continuar a haver entusiasmo pelo Saber e pela Aprendizagem. O país não se desenvolve se o pessoal não sentir essa “pica” pela ESCOLA e por tudo o que de lá podem aproveitar. Além do mais, os sacrifícios dos pais são cada vez maiores para que os filhos possam ter acesso a tudo isso. E os filhos devem isso aos pais.
É nas mãos destas gerações de alunos que temos de pôr este país caído em desgraça e nós, professores, temos de ensinar TUDO o que sabemos, porque é de nós que dependem os jovens que temos à nossa frente. É de nós (e deles, também) que depende o seu futuro e, consequentemente o futuro do país. Tolerância ZERO para as baldas, para a aldrabice e para a falta de vontade.

Em suma, os governos dos últimos anos têm sido formados por políticos, muitos deles reflexo das alterações absurdas e do desrespeito que a escola pública tem vindo a sofrer ao longo destes anos. Mais palavras para quê?

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Atrás do sonho


Está prestes a começar uma grande etapa da sua vida. O Zé Miguel Lúcio está de partida para a Academia do Sporting onde irá integrar a equipa dos juniores. Daqui de casa queremos que o teu sonho seja concretizado e que, num futuro mais ou menos próximo, possas contribuir para alegrias inesquecíveis, mesmo para quem não liga muito ao futebol como eu. Na primeira foto estamos nós,os cinco da família, com o nosso afilhado de baptismo, um puto louro de quem gostamos muito e que vai lutar pelo seu sonho! A segunda imagem já mostra  o que o futuro lhe reserva. ESTAMOS CONTIGO, com o teu irmão e com os teus pais.

terça-feira, 16 de julho de 2013

A Skate display - João Conceição



O João Conceição, de Montemor-o-Novo a anda a brincar com coisas sérias. Ora vejam lá a sensibilidade "cinematográfica" do puto. E podem ver mais em
https://www.facebook.com/JoaoConceicaostudios?fref=ts

Temos aqui um caso sério.

Déjà-vu?




        Num Portugal desconjuntado e atirado para a valeta pelos anos difíceis da I República, foi fácil concretizar o golpe de 28 de Maio de 1926, que viria a dar origem ao Estado Novo, em 1933. Para resolver a grave crise social e financeira de então, o presidente da república eleito, em 1928, em lista única (que absurdo), General Óscar Carmona, chamou Oliveira Salazar para a pasta das Finanças. O professor de Coimbra não perdeu tempo e lançou sobre os portugueses uma austeridade sem precedentes, com uma redução das contas públicas e um “colossal” aumento de impostos. De salvador da pátria a ditador insensível, controlador e intransigente, foi um pequeno passo, o primeiro, contudo, de uma longa caminhada de censura, tortura, cultivo da ignorância e controlo total da vida dos portugueses, que viria a terminar a 25 de Abril de 1974.
O Governo de Salvação Nacional, solicitado por Cavaco Silva no passo dia 10, rima de forma terrível com a União Nacional de triste memória Se a coisa ficasse apenas por esta questão “(in)estética”, nada de grave me ocorreria. O meu receio é que os acontecimentos se repitam. E, por aquilo que tenho lido, ouvido e aprendido com quem sabe destas coisas, a História tende mesmo a repetir-se, ainda que noutras circunstâncias e contextos. É isso que me assusta. E o pior é que, quando os portugueses derem por tal, será tarde de mais.
Ah! É verdade! Iznogoud é um nome formado a partir da expressão inglesa “is no good”, - não presta para nada, em português de Portugal.


domingo, 14 de julho de 2013

Oh, Sebastião: a galope!





Achei brilhante o golpe palaciano de P. Portas no início de Julho. Achei inacreditável como P. Coelho cedeu a esta chantagem. Só falta saber que palavras lhe disse Portas para que ele tivesse quebrado com aquela aparente facilidade. Ou também podemos pôr a questão ao contrário: o que terá dito Passos a Portas para o levar a mudar de ideias, depois daquele irrevogável pedido de demissão? Terão os submarinos, tema ainda por esclarecer, vindo à superfície num ponto ou outro da discussão?
O país está um verdadeiro caos político e social. De tal forma sentimos as instituições, os nossos direitos e a constituição desrespeitados, que esperamos todos os dias por um D. Sebastião que salve o país e nos traga alguma paz e sossego. Mas precisaria de pôr o seu corcel branco a galope. Caso contrário será tarde demais. Renovou-se o mito do Encoberto e do Quinto Império que Fernando Pessoa tão febrilmente reinventou na sua Mensagem. Mas tudo o que se passa agora neste país de gente ilustre ultrapassa a literatura e a mística pessoana. Na verdade, e analisadas as situações já vividas, noutros tempos, por Portugal e por outros países europeus – Alemanha, Itália, Espanha – estão criadas as condições necessárias para o regresso de uma ditadura. 



quinta-feira, 11 de julho de 2013

Eu quero ser...








Não sei como começar a escrever aquilo que me vai na cabeça. Porque os últimos dias têm sido alucinantes, com abanões constantes, declarações surpreendentes que mais não passaram de insultos à inteligência e ao esforço de muitos portugueses. Olhem, não sabendo como começar, vou começar assim:
Iznogoud é uma famosa personagem da banda desenhada belga. É um Grão-Vizir que procura por todos os meios ser Califa em vez do Califa. Não foi inspirado em Paulo Portas, porque quando a personagem foi criada, em 1962, Portas tinha acabado de nascer, era pequenino e René Goscinny e Jean Tabary não faziam ideia quem era aquele futuro político, brilhante, manhoso, maquiavélico e combativo. Mas poderiam ter sacado dele alguma inspiração. Tal como o boneco de traço francês, também Portas tem vindo, aos poucos, conquistado terreno para, mais tarde ou mais cedo, vir a ser primeiro-ministro em vez do primeiro-ministro.
Provavelmente, quando estiverem a ler este pequeno texto, já Paulo Iznogoud Portas conseguiu cumprir o seu desiderato: ser primeiro-ministro após a demissão voluntária de Passos Coelho.

O Presidente da República decidiu, então, manter, não um casamento a dois, mas uma união a três, cada qual mais casmurro, teimoso do que outro, todos eles crispados, birrentos, sem futuro conjunto, adiando teimosamente o inadiável. O Partido Socialista, o Partido Social Democrata e o Centro Democrático Social nunca se entenderam em quase 40 anos de democracia. Não é agora que vão entender-se. A História recente do nosso país foi isso que nos ensinou. Só um anjinho poderia acreditar nessa tão remota possibilidade.

sábado, 22 de junho de 2013

Eu e o Facebook



 
 
Eu e o Facebook - Parte 1
         
           Escrevi um pequeno texto no meu mural do Facebook que aqui reproduzo: "Se queres ser amado em Montemor... sê tradicional, alinhado, não te atrevas a pensar pela tua cabeça, manifesta, sempre que possível, o teu temor à Igreja, ao Poder Político e ao Patrão. E nem penses em ser livre no pensamento e nas atitudes. Quer sejas adolescente ou adulto. Isso é crime e ficas condenado ao Inferno em vida pelos bem comportados do regime, hipócritas e poças de vómito sem fundo. Estou-me a marimbar para eles, venham de onde vierem, e sei que os meus Amigos e as minhas Amigas também! Siga a luta!! "

O texto gerou alguma troca de ideias, o que me levou a reproduzi-lo aqui, sem retirar uma vírgula ao que escrevi, neste espaço, lido por pessoas de faixas etárias diversas e que pouco ligam aos facebooks. Montemor, e a grande maioria das terras pequenas do interior, foram (e serão, se o quisermos) sempre assim. Habituados antes a não sermos livres, muitos de nós continuaram e continuam ainda, de forma endémica, a curvar a coluna a muitos poderes. A uns porque deles depende o pão para mesa, a outros porque sentimos a necessidade de agradar, venerandos, atentos e obrigados, muitas vezes a quem não merece a mínima credibilidade.

Montemor foi sempre uma terra de doutores e engenheiros, de vénias e de favores que se pagam com outros favores. É persona non grata quem se droga, quem usa piercings, quem usa tatuagens, quem está até muito tarde sem arranjar namorado ou namorada, quem arranja namorado ou namorada cedo de mais, quem assume a sua sexualidade contrária às “normas vigentes”, quem…, quem…, quem…

Mas, ainda assim, é a minha terra e não a trocaria por nenhuma outra.

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 Eu e o Facebook-Parte 2
           Também no Face publiquei uma pequena brincadeira que deu igualmente alguma conversa por aí. Escrevi assim: "Gosto do Olímpio Galvão, gosto da Hortênsia Menino, gosto da Maria de Lurdes Vacas de Carvalho, mas gosto muito mais de mim. Por isso, estou a pensar candidatar-me a PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE MONTEMOR-O-NOVO. Quem quiser votar vota, quem não quiser não vota. Obrigado."

Este pequeno parágrafo experimental, que criou na minha fofa problemas de falta de ar e de taquicardia, serviu para muito pessoal dizer de sua justiça, uns a favor, outros contra, alguns ligeiramente desagradáveis, só porque não lhes era um post a jeito.

            Entendo que qualquer cidadão é livre de exigir mudanças, melhorias, alternativas. Montemor tem tido esse “problema” desde há muito. Parece “pecado” pedir mais. Mas não se preocupem os mais preocupados, que esta minha pré-campanha era apenas uma forma de mostrar que qualquer um PODE e DEVE assumir as funções que julga ter capacidade (o que não é o meu caso, reconheço) para assumir e traçar planos para que os poderes se alternem de forma democrática e serena. Querer a mudança, fazer oposição, reclamar, criticar as políticas do PC, do PS, do PSD julgo que não é crime, e foi para termos essa liberdade que muitos democratas caíram sob as garras de Salazar, de Hitler, de Estaline ou de qualquer outro ditador, se ousassem contrariar a sua política, exercida sempre e bem da nação ou em nome do povo. Alguns ficaram contentes com a ideia de me ver na presidência, outros amuaram só de pensar na ideia, mas a democracia é isso mesmo. Uns gostam, outros não. E têm o direito de manifestá-lo.

Mas foi inútil tanta polémica. (Terá sido?) Eu escrevo e ensino literatura. Estudo e ensino música. Estudo e ensino línguas na Escola Secundária. Não faço política e muito menos político-partidária. E a candidatar-me seria como independente de qualquer partido ou ideologia política. Não consigo suportar seguidismos e obediências a partidos políticos, anulando o meu querer e a minha vontade própria.

Montemor e os seus habitantes já deveriam ter-se habituado a não viver o dia-a-dia à espera que a morte venha e que os seus dias, bons ou maus, sejam decretados por forças superiores e intocáveis. Temos o direito de dizer o que sentimos. Temos até o direito de nos candidatarmos a cargos públicos.  

Eu sou um cidadão livre, apartidário, sempre o fui e sempre o serei. Quero o melhor para o meu concelho, para os meus filhos e para os filhos dos meus conterrâneos. Todos nós o queremos. Todos nós temos o direito e o dever de, de uma forma ou de outra, dar uma ajuda nesse sentido. Montemor é nosso, dos montemorenses e dos que tiveram a inteligência de escolher esta terra como sua. A ditadura partidária já não se usa numa gestão moderna seja do que for. Que venha alguém sem vícios, de qualquer quadrante político, e com tudo no sítio, matar este ramerrame que nos consome a todos. Mas que não estrague todo o bom trabalho feito ao longo destes anos pelos executivos de Carlos Pinto de Sá e anteriores. Isso seria estupidez e um suicídio político (e social).

E dou por terminada aqui a minha fictícia candidatura a Presidente do Município de Montemor-o-Novo. Um abraço a todos os meus amigos de todos os partidos e de todos os não-partidos. Vamos continuando em contacto, pessoalmente, através deste jornal ou através daquela coisa fantástica chamada Facebook!

 Nota final: se Carlos Pinto de Sá se apresentou em Évora como alternativa à gestão socialista de José Ernesto de Oliveira, Olímpio Galvão e Lurdes Vacas de Carvalho podem, muito legitimamente, apresentar-se em Montemor, como alternativas à actual gestão CDU. E eu também, se quisesse.

domingo, 16 de junho de 2013

Comendador Balu I

 
 
O Balu, depois de ter sido agraciado, pelo Sr. Presidente da República, com a comenda do Cão Mais Fixe do Bairro. Balu??? Não! COMENDADOR BALU, se faz favor!

sexta-feira, 26 de abril de 2013


Não admito que políticos demagogos e aldrabões me andem sempre a dizer com ar paternal, e com um tom de voz de censura estúpida, que tenho andado a viver acima das minhas possibilidades. Eles, e muitos outros antes deles, os primos deles e os amigos deles é que andaram, durante anos, a gozar a vida acima das minhas possibilidades. Nunca enganei o Estado. Nunca assinei contratos que não pudesse honrar. Procurei sempre cumprir as minhas obrigações de cidadão e de contribuinte. Eles é que me aldrabaram. Eles. Lembro-me que, quando assinei o meu contrato com o Ministério da Educação, em 1983, a minha reforma previa-se que fosse ao fim de trinta e dois anos de serviço, o ordenado nunca iria baixar, mas sim aumentar para fazer face à inflação, as faltas por doença, por serviço oficial, ou por outro motivo qualquer eram aceites segundo um critério minimamente justo. O subsídio de férias e o de Natal estaria sempre assegurando, desde que cumprido o calendário de trabalho previsto. Isto para não falar na redução gradual do horário de trabalho, para compensar o desgaste de uma profissão dura e de responsabilidade que é a de professor. 
Afinal, era tudo mentira. Tudo aquilo a que tínhamos direito no início da nossa carreira foi-nos descaradamente roubado, para tapar os buracos que tipos com uma coluna vertebral de lagarta cavaram ao longo dos anos à pala de quem trabalha. Deixam-nos a agonizar em nome da nação e do bem comum. Pena eles lembrarem-se agora do bem comum. Sinto-me agoniado cada vez que eles aparecem na televisão, com ar catedrático, a vomitar as suas grandes lições de moral.

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