quarta-feira, 24 de maio de 2017

Só para inglês ver



Começaram a mexer. Os políticos da terrinha já apresentaram os candidatos, estes, por sua vez, irão apresentar a sua equipa de trabalho para, depois, se submeterem ao escrutínio dos munícipes. Independentemente do vencedor, o importante é que Montemor saia a vencer. Que não se façam promessas agora para que o seu cumprimento seja atirado para as calendas gregas. Que não se prometa o que não se pode cumprir.
Há uma realidade incontornável e com ela me vou, de credo na boca, a pensar no meu votozinho: Montemor precisa de incentivos ao comércio e à indústria. Montemor precisa de mais incentivos ao comércio e à indústria. Montemor precisa de muito mais incentivos ao comércio e à indústria. Comunistas, Social-Democratas, Socialistas, Centristas, olhem para a vossa terra com olhos de ver. Criem. Proponham. Colaborem. Cooperem. Cumpram.
Respeitem-se.

João Luís Nabo, in "O Montemorense", 20 de Maio de 2017

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Eu acredito




Já se falou tudo o que havia a falar sobre o Papa Francisco e a sua vinda-relâmpago a Fátima, sobre o Salvador e a sua rápida ascensão ao estrelato por via da sua vitória no Eurofestival, e sobre o desempenho do Benfica após a conquista de quatro campeonatos nacionais in a row. Podemos dizer que regressámos a um passado não muito distante, em que o Estado também se curvava e beijava a mão à Igreja e em que o povo se deleitava com os fados de Amália e vibrava cegamente com o Futebol de Eusébio.
Há, contudo, que perceber a enorme distância, em termos de mentalidades, que vai entre o outrora e o agora. Outrora, Portugal abraçava Fátima, a Canção Nacional e o Futebol, porque a conjuntura socio-política o forçava a isso: não havia outras hipóteses de escolha. Agora, a caminho da terceira década do século XXI, podemos optar e optamos. Sem constrangimentos e sem medos. Se, por um lado, não somos iguais no pensamento e nas atitudes dos nossos antepassados dos anos 50 e 60, também os protagonistas da nossa História Actual são seres humanos diferentes, menos apertados pelo “sistema”, de espírito mais aberto e de olhar bastante mais lúcido.
Francisco é um homem inteligente, sensível e bom. Salvador é um jovem inteligente, sensível e “fora da caixa”, e o Futebol é, afinal, o nosso orgulho de campeões europeus. As pressões que estes “heróis” sofrem por parte dos seus admiradores, dos seus pares ou das hierarquias em que se encontram “encaixados” acabarão por servir tão somente de atenuante para algum erro que possam cometer enquanto vão caminhando por este cada vez mais interessante Passeio da Fama que é, e todos os sabemos, muito mais do que isso.
Entretanto, a auto-estima dos portugueses subiu em flecha. Através da religião, da música e do desporto, a grande maioria de nós já começou a pensar no lema de Barack Obama que o levou à presidência dos Estados Unidos, no já longínquo Janeiro de 2009 de boa memória: “Yes, we can!”. Sim, nós somos capazes. Por causa do Papa Francisco, do Salvador e do Rui Vitória, outros caminhos irão ser desbravados. Eu acredito.



João Luís Nabo, in "O Montemorense", 20 de Maio de 2017

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Portugal português





O actual sistema de ensino tem tentado levar alunos de 16 e 17 anos a ler alguns autores-chave da literatura portuguesa: Camões, Vieira, Garrett, Camilo, Pessoa, Eça, Saramago, Sttau Monteiro. O actual sistema de ensino quer que os alunos explorem as obras e os autores, de modo a ficarem preparados para os exames finais, onde os examinandos deverão espremer, em duas horas de intenso stress, o que conseguiram aprender desses escritores e das narrativas que os tornaram célebres.
O actual sistema de ensino não pode querer uma coisa impossível de querer. Para atingir esse desiderato da tutela, os alunos deveriam ser possuidores de profundos conhecimentos sobre a História, a Cultura (erudita e popular) a Política e a Religião do seu próprio país, porque foi este país que deu aos escritores em estudo o repositório de onde estes retiraram a matéria dos seus sonhos, para, depois, atirarem para o papel as suas melhores “invenções”.
E os alunos, pelo menos a grande maioria, reconhecem que lhes falta uma base cultural consistente para poderem dominar parte dos conceitos, das temáticas e de um sem-número de referências históricas explícitas, e não menos vezes implícitas, nos romances, nas peças de teatro e na poética desses porta-vozes da nossa vida e do nosso pensamento colectivo. Os estudantes do ensino secundário não devem olhar para um Eça, para um Pessoa ou para um Saramago como indivíduos distantes, estrangeiros e que só estão ali para lhes causar dores de cabeça. A eles e aos professores. Não. Esses e outros autores são tão portugueses como qualquer de nós e viveram no mesmo país que hoje procura, a todo o custo, conquistar uma nova perspectiva do Homem e do Mundo.
Assim, possuindo eles essas “ferramentas” estruturais, fortes e benfazejas, iriam tirar muito mais proveito das leituras que fazem, ou que fingem que fazem, e o próprio gesto de ler tornava-se, ele próprio, agora numa perspectiva de verdadeiros leitores com conhecimentos e pensamento crítico, num prazer maior, de verdadeiro diálogo transtemporal entre o aluno e o escritor.
E depois, não é só o Papa Francisco, o Salvador e o Éder que fazem vibrar multidões. Todos os autores dos programas de Português do Ensino Secundário foram uma pedra no sapato de alguém, uma pedrada no charco lamacento do sistema, seres humanos muito à frente do seu tempo.

João Luís Nabo, in "O Montemorense", Maio de 2017


Distraídos crónicos...

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