terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Carlos




O mês de Dezembro começou mal para outra figura da cidade. Uma queda levou o meu querido amigo Carlos Cebola ao hospital onde passou uns dias, estando já em casa após uma cirurgia de sucesso. Imaginamos sempre a preocupação da Família, e, ao mesmo tempo, a serenidade do Professor que, pacificamente, aceitou o “incidente” e se abandonou de alma e coração nas mãos dos médicos e das enfermeiras. Tinha feito já o seu poema habitual para os Cantares ao Menino, entregue na minhas mãos há largas semanas, com as palavras sábias e serenas a que estamos habituados: Tome lá já o poema para este ano, porque a gente nunca sabe. Espero poder ir ouvi-lo na Igreja da Misericórdia.” Calculamos que, embora em recuperação, não vai estar ainda capacitado para cumprir esse desejo. Mas sei que vai acreditar que declamaremos o seu texto com toda a alma e com a mesma serenidade com que o escreveu. Obrigado, Professor Carlos. Os seus Amigos estão consigo.  


João Luís Nabo
In "O Montemorense", Dezembro de 2018

domingo, 9 de dezembro de 2018

Francisco



Não foram nada bons os primeiros dias de Dezembro. Neste tempo de esperança, de alegria e de união familiar e de amigos, foi exponencialmente difícil quando nos vimos confrontados com o trágico acidente e consequente falecimento de um conterrâneo nosso, figura popular e de quem todos gostávamos, pela sua forma de se dar aos outros e de partilhar o que tinha com quem não tinha. Era jovem o Francisco. Vai permanecer jovem para sempre, dando continuação a outros mitos da literatura, do desporto, do cinema e das belas artes, que têm povoado o imaginário de várias gerações ao longo da História. 
Era, por isso, ainda cedo. Cedo demais. 
Quando um amigo parte das nossas vidas e deixa os nossos dias profundamente mais vazios e sem Sol, há sempre uma parte nossa que o acompanha e uma parte dele que fica connosco. É assim a amizade. Se não fosse como acabo de descrever, nada teria valido a pena.
Partiu o Francisco. Deixou inconsoláveis a família e os amigos, sobretudo os amigos da igualmente mítica Rua de D. Sancho, e também os companheiros e colegas que, com ele, viviam a noite montemorense com intensidade e paixão.
Também nós, um dia, partiremos, por um motivo qualquer inesperado, adverso ou, nunca o saberemos agora, já aguardado. E haverá, também, gente pouco cautelosa a trocar impressões nas redes sociais sobre o nosso estado de saúde, sobre as nossas amizades, sobre a nossa família e o nosso passado, esquecida da dimensão e do alcance que esses comentários podem atingir. Todos os amigos, preocupados, os irão ler. E os outros também.
Mas para o Francisco nada disto teve importância.
Até um dia, sabe-se lá quando... Quando for, vou levar-te notícias da nossa terra.
Descansa em paz.

João Luís Nabo

In "O Montemorense", Dezembro 2018

Distraídos crónicos...

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