terça-feira, 19 de março de 2019

De fio a pavio - parte 3




Os ataques criminosos contra pessoas e bens, tanto no nosso país como no estrangeiro, revelam a “era da paranóia” (Oh, Teresa Brennan, de vez em quando, ando a falar nisto, o que não é bom sinal) em que nos obrigam a viver. Obrigam os políticos, as religiões e o vazio que preenche a vida e o cérebro de tanta gente. Não tens nada para fazer logo à tarde? Tiveste uma infância infeliz? Viveste uma adolescência tardia? A escola não é do teu agrado? A tua namorada deixou-te porque lhe deste duas bofetadas? Então, pega numa arma e começa a despachar pessoal, de fio a pavio, como se não houvesse amanhã. Depois, algum causídico há-de arranjar forma de passares por maluquinho e vítima do sistema que te consumiu.

João Luís Nabo
In "O Montemorense", Março 2019


domingo, 17 de março de 2019

De fio a pavio - parte 2



A Fofa continua sensível ao que a rodeia e hiper-super-mega atenta às minhas tentativas de escrever mais umas coisas, não vá eu ofender algumas virgens, tão virgens como eu em determinados assuntos e em determinadas práticas. Deixou-me de boquinha aberta, há bem pouco tempo, esta Fofa de uma figa. Disse-me ela, com ar pensativo, num destes dias ao serão, depois de enfiado o pijama e ajeitadas as pantufinhas: “O menino acha que me posso candidatar às próximas legislativas, para poder vir a ser primeira-ministra como a D. Assunção?” Sem acreditar no que estava a ouvir, respondi-lhe, animado, mas sério: “Claro que podes. Arranjas-me um cargo fixe, uma direcção-geral, uma secretaria de estado, um ministério, só para eu fazer uns projectos e umas cenas e assim?” Houve um momento pesado, de silêncio pesado, mesmo. Levantou o sobrolho, escancarou-me os olhos e respondeu: “Ficas com o cargo de Primeiro Damo.”
Já nem acabei de ver a novela. Cama com ele. (Ainda hoje não lhe dirijo palavra.)


João Luís Nabo

In  "O Montemorense", Março de 2019

sábado, 16 de março de 2019

De fio a pavio - parte 1






           O Grupo Coral Fora d’Oras, com quem já trabalhei em vários concertos, foi escolhido como Embaixador do Concelho de Montemor-o-Novo. A autarquia não imaginava o presente envenenado que estava a entregar a este grupo de excelentes cantores e cultivadores do Cante Alentejano, Património Imaterial da Humanidade. Choveram as críticas, sobretudo em relação aos critérios que determinaram esta escolha. Eu próprio fiquei admirado e teria outras sugestões a fazer e que não passariam por nenhum grupo aqui residente. Mas a decisão foi, sem dúvida, política e, independentemente da associação ou do grupo escolhido, as críticas acabariam sempre por aparecer. Estas nomeações nunca são pacíficas, muito menos numa terra cheia de associações que têm, nas mais variadas áreas culturais e desportivas, levado o nome de Montemor até muito longe.  Portanto, esta opção (como aconteceria com outra qualquer) deu polémica. Só tinha de dar.
Quem não pediu para ser nomeado foi o Grupo Fora d’Oras, que vai continuar a fazer aquilo que gosta: cantar. Quer concordemos, quer não, a atribuição já foi oficializada e, por isso, só resta desejar que cumpram o melhor que souberem a missão que lhes foi confiada. Estaremos com eles, naturalmente. Sempre. Porque são de Montemor e nós também.


João Luís Nabo
In "O Montemorense", Março de 2019

Distraídos crónicos...

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