sábado, 15 de novembro de 2014

Entretengas



Sabe bem esta questão das epidemias. O povo sempre deixa descansar um pouco outras formas de distracção e os políticos agradecem. O Ébola e a Legionella estão agora no centro das conversas e das preocupações dos portugueses. Nem é preciso pensarmos muito na questão para verificarmos que basta um problema deste género, bem como uma forte chuvada na Baixa de Lisboa, para sentirmos a nossa vulnerabilidade, para tomarmos consciência da nossa fragilidade enquanto cidadãos desta espécie de país. As vítimas da bactéria mais famosa do momento aumentam todos os dias, as explicações dos responsáveis pela Saúde multiplicam-se mas as soluções (se as há, na verdade) teimam em não dar resultados visíveis. 
O nosso mundo é um berlinde azul e verde que nos aproxima todos uns dos outros. Para o bem e para o mal. Porque a África do Ébola é já ali, ao virar da esquina. E Vila Franca fica mesmo no outro lado da nossa rua.
E enquanto estas questões nos vão entretendo, o caminho dos políticos está um pouco mais facilitado para outros golpes e contra-golpes e, com muita pena de todos, Fátima, Fado e Futebol ficam, até ver, relegados para segundo plano. 
Somos mesmo uma data de órfãos à deriva, com Cavaco Silva, impávido e sereno, na varanda do Palácio de Belém, sorrindo virginalmente, ao ver as naus que se afundam lentamente no Tejo.


João Luís Nabo, in "O Montemorense", Novembro de 2014

2 comentários:

Grupo de música-teatro disse...

João Luis, ácido como soda cáustica, atento como uma coruja! Com perdão das comparações!
Abraços

Grupo de música-teatro disse...

João Luis, ácido como soda cáustica, atento como uma coruja! Com perdão das comparações!
Abraços Rodrigo da Rosa

Distraídos crónicos...

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