domingo, 14 de junho de 2015

Mentirosos de alto nível

           

       
       Se a escrita é uma forma de liberdade, a escrita ficcional é uma forma superior de liberdade. Escrever ficção, sejam romances, novelas ou contos, é mentir… com classe. É inventar realidades, pessoas, sentimentos e espaços, espaço interiores e exteriores, de tal forma que todos os que lêem acabam por acreditar que o imaginado é real, mais real do que a vida. É a célebre “suspension of disbelief” de Samuel Coleridge ou, de uma forma mais ou menos aproximada, “a suspensão voluntária da descrença". Isto é, recusamo-nos a não acreditar.
          São estas algumas das premissas que suportam os primeiros momentos num contexto de oficina de escrita criativa. Outras motivações que, nessas sessões, nos levam a orientar a imaginação e a técnica de jovens candidatos a escritores, é “colocá-los” no lado de dentro do texto e perceber assim, sob a perspectiva do criador, como funciona a sua “criatura”, chamemos-lhe texto, neste caso concreto, mas que poderia ser uma pintura, uma escultura, uma foto ou qualquer outra manifestação artística.
        Pois, neste final de ano lectivo, há, para além da habitual febre das notas, dos exames e das angústias inerentes e legítimas, um facto incontornável e, por isso mesmo, digno de anúncio. O Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Novo vai publicar uma edição de contos originais, da autoria de dois alunos que já começaram a dar que falar nesta área. Joaquim Quadrado e Mateus Lopes Bregas, agora a darem os primeiros passos numa área ingrata, difícil e demasiado banalizada, merecem o meu público agradecimento pelo esforço (isso da inspiração é um mito absurdo), pela paciência, pelo talento e pela capacidade manifestada em mentir tanto em tão pouco tempo.

Continuamos a espalhar mentiras logo em Setembro? Cá por mim…


                 In "O Montemorense", Junho 2015

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