domingo, 19 de julho de 2015

Silly, silly Balú!



Vem aí a estação das parvoíces, a silly season como já é conhecida há uns anos. E nesta época de Verão, a crise grega passa a ser marca de iogurte e os problemas da nossa pátria ficam localizados muito além da linha do horizonte que separa, de forma ténue, o céu do mar que o espelha (obrigado, Fernando). O Sol e o seu respectivo pôr, se há uns anitos era motivo para um passeio romântico à beira-mar, hoje é uma forma de legitimar o início de um período (que vai desde o pôr até ao nascer do dito) de valente descontracção. Basta vestir uns trapinhos de cor branca, pegar num copo (fundamental) e dançar como se não houvesse amanhã, com gente que não se conhece de lado nenhum. E o que se faz durante o dia? Dorme-se até à uma e, depois, faz-se tudo para não se fazer nada.
A praia passa a ser, nesta altura, o cenário de todas as loucuras: as gorduras das mais anafadinhas parece que derretem mas não derretem, porque entre uma sesta e outra arrefinfam-lhe com quatro bolas de Berlim com creme e três sem creme (por causa da dieta). Depois, quando o tempo não é o ideal para expor o físico, conquistado à custa de muito sofrimento nos ginásios deste país de musculados, as tias do croquete anexam-se a uns amigos de acasião e lá entram todos nas festas e recepções patrocinadas por revistas e televisões. Tudo isto é divertido, tudo isto é triste, tudo isto é fado (obrigado, Amália).
A silly season é também a época dos acasalamentos furtuitos, ocasionais e sem futuro. É fixe conhecer outros e outras que não os nossos e as nossas. E quem não teve um delicioso e tórrido amor de Verão que lance a primeira pedra (obrigado, Zezé).  E em relação à malta nova, todos sabemos que os amores de Verão acabam sempre por ficar na memória de quem os vive. A outra malta que, como eu, gosta de, no Verão, jantar fora, no quintal, acaba sempre por viver uns dias pacíficos, verdadeiramente relaxantes e sem problemas de maior.
Se dantes era no Carnaval que nada parecia mal, agora é no Verão que tudo é permitido, porque é engraçado, inofensivo, descontraído e quiduxo. Pois é, em Setembro, acabam-se as gracinhas e o abanar do capacete ao som de música reggae na onda do Everything's gonna be alright (obrigado Bob Marley). Mas haja esperança: se a areia da praia não se tiver enfiado no cérebro dos portugueses, amigos do sol e da boa vida, talvez ainda venhamos a ter gente capaz de cumprir Portugal (obrigado, Fernando, e desculpa o abuso).

E agora despeço-me, porque tenho umas sardinhas a assar no quintal. Vou receber esta noite a Condessa de Arraiolos e Excelentíssima Família que decidiram apresentar-me cumprimentos na sua passagem por esta mui nobre cidade de Montemor a caminho do seu palacete em Zambujeira do Mar. Já escolhi a música que nos vai embalar, todos de branco, até o Sol nascer ali por detrás da Serra das Vinagras! Se quiserem... apareçam.


In "O Montemorense", Julho 2015

1 comentário:

Francisco Tata disse...

Excepcional !
Este sentido de humor não está ao alcance de qualquer um!
Bom serão, e os meus respeitos à Condessa de Arraiolos.

F. Táta

Distraídos crónicos...

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