quinta-feira, 26 de março de 2009

Discriminação positiva


Por: Pedro Coelho
(Jornalista)
A expressão discriminação positiva provoca-me sempre uma enorme reserva. A contradição de termos que encerra aproxima-a do paradoxo, tornando-a, literalmente, inviável. Contudo, a directora geral de educação do norte, Margarida Moreira, usou-a para caracterizar o “excelente trabalho” efectuado numa escola de Barqueiros, concelho de Barcelos.
Convém recordar que a directora regional de educação do norte, já antes tinha oferecido, de bandeja, aos jornalistas outros momentos de estreiteza técnica e política. Mas como a senhora não é uma técnica, desculpemos-lhe a falha política.
Neste caso concreto, a classificação de Margarida Moreira foi prontamente atenuada pelo secretário de Estado Valter Lemos, ao reconhecer que os 17 alunos de etnia cigana, separados dos restantes alunos e colocados num pré-fabricado no recreio, precisavam de outro tipo de enquadramento, incluindo a criação de um grupo de acompanhamento que ajudasse a melhorar a excelência apregoada, na véspera, pela directora regional.
Mas a questão essencial não está nas palavras da técnica do ministério de educação, nem nas medidas que o executivo pretende tomar em benefício destas 17 crianças. A questão essencial é, de facto, o princípio da separação com vista a alcançar essa propalada discriminação positiva.
Há outros exemplos em que a separação de grupos de risco, igualmente de etnia cigana, foi a solução encontrada pelas escolas e pelo ministério. Nesses casos terão sido tomadas medidas reais de acompanhamento que promovessem, a prazo, a integração plena das crianças.
Ainda assim, discordo. Promover a inclusão pela via da exclusão enquadra-nos, de novo, com o paradoxo a que fizemos referência no início desta abordagem.
Dará mais trabalho, envolverá outro tipo de meios, eventualmente mais pesados do ponto de vista financeiro, outro tipo de vontades, de coragem, mas, quando evitamos que um grupo de risco contamine as restantes crianças, o risco poderá ser atenuado a prazo, mas que efeitos reais terá a decisão nos visados alvo dessa descriminação?

Uma turma de rebeldes parece ser a ante câmara dos colégios de reinserção. Essa visão, confesso-vos, não me agrada… Não protege as crianças e, no futuro, dificilmente protegerá a sociedade.

Distraídos crónicos...

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