domingo, 2 de outubro de 2011

"púcaros que nunca são velhos"




CERÂMICA DE MONTEMOR, “púcaros que nunca são velhos” - é o tema da exposição inaugurada no dia 1 de Outubro, no Centro Interpretativo do Castelo (Igreja de São Tiago), em Montemor-o-Novo.

Do texto de apresentação retirámos este excerto ilucidativo do interesse da iniciativa e também para aguçar o apetite dos interessados por estas temáticas ligadas à arqueologia local:

"É conhecida a presença de um oleiro, em 1387, habitante da vila intra-muros, podendo, no entanto, especular-se se possuiria a sua oficina no mesmo local da sua habitação ou não. No entanto, por norma, os mestres de olaria estabeleciam a sua actividade industrial junto das periferias dos centros urbanos devido à poluição que produziam durante o processo de cozedura das peças cerâmicas. Dessa forma, sabe-se que, durante o século XVI e posteriores, os oleiros estabeleciam as suas oficinas no arrabalde, mais especificamente na Rua dos Oleiros, actual Rua de Santo António, e na sua contígua - Rua do Pedrão.
Sabe-se que o barro era extraído de algumas zonas específicas, particularmente e de entre outras, da encosta da vila intra-muros (extracção essa que a Câmara viria a proibir em 1657, com direito a multa de 1.000 reis), assim como do Rossio.
A importância que Montemor-o-Novo adquiriu como centro de produção oleira viria a resultar numa classe oleira com um significativo poder económico dentro da localidade, manifestando-se na posse de propriedades rústicas e urbanas. Este poderio financeiro originaria verdadeiras “dinastias de oleiros” em Montemor que, como refere Jorge Fonseca, é exemplo a família Álvares e/ou Alves, com referências documentais que a ligam, através de cerca de duas centenas e meia de anos, ao ramo da olaria (....).


As peças em Exposição


Ao longo dos anos, em Montemor-o-Novo, as escavações arqueológicas desenvolvidas na antiga vila intra-muros, assim como fora do recinto amuralhado, mais precisamente no Convento de São João de Deus, têm vindo a revelar alguns exemplares desta antiga técnica oleira montemorense.

(...) Particularmente, o acervo aqui em exposição é todo pertencente a campanhas arqueológicas do Castelo de Montemor-o-Novo referentes aos anos de 2005, 2007 e 2009. A campanha mais profícua em cerâmica de produção local foi a de 2009, mais concretamente o espólio resultante de um silo cujos materiais se situavam cronologicamente entre o século XIV e XV. São daí resultantes, das peças em exposição, o jarro, e os dois cântaros pequenos identificados com os n.º de inventário: MNCAST [7/09] 0117; MNCAST [7/09] 0118; e MNCAST [7/09] 0119. (...)"

1 comentário:

Anónimo disse...

oleiros que não se dedicavam apenas à produção de peças cerâmicas para uso doméstico e/ou industrial. De lembrar que as telhas de barro para coberturas numa primeira fase eram produzidas pelos oleiros. Quando a pedra começou a ser substituída pelo tijolo de barro na construção de alvenarias, aí surjiram os telheiros (fabrico de telha e tijolos nas suas diferentes morfologias), sendo que o artífice já não era o oleiro mas sim o "mestre de telheiro". Terá sido a partir dessa altura que começou a redução da actividade das olarias.
Vitruvio

Distraídos crónicos...

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Montemor-o-Novo, Alto Alentejo, Portugal