quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Pirulito


Não há-de faltar muito para regressarmos ao cultivo da terra como forma única de sobrevivência. Foram uns anos de pousio, a mando da União Europeia e dos poderosos que nela têm mandado. “Parem as sementeiras que a gente manda para aí dinheiro”, diziam eles. E nós, ignorantes e a pensar na chuva de milhões, assim fizemos. E a terra, que tudo dá, por aqui ficou, seca, estéril, ao abandono, neste Alentejo outrora um mar de ouro e fonte de riqueza inesgotável.   
Hoje, muitos dos meus amigos, para poderem fazer algumas refeições decentes, ressuscitaram uma leira de terra, que era do pai ou do avô, onde vão cultivando batatas, cenouras, couves, feijão e outros produtos, ao sabor das estações do ano. Porque se aproximam dias ainda mais difíceis e o regresso à terra parece ser a única solução para minimizar os estragos. Com as políticas fiscais e de cortes, o comércio vai parar, a indústria já está a ficar parada, os desempregados são aos milhares, o euro fica cada vez mais desvalorizado e os jovens recém-formados, garantia de futuro deste pardieiro assustadoramente mal frequentado, continuam em casa dos pais, porque para arrendarem uma casa para si e ficarem autónomos é fundamental uma garantia de emprego.
Não vale a pena disfarçar mais. A maioria dos portugueses começa a não ter para onde se virar, começando já a manifestar-se nas ruas, pacificamente, fazendo ver aos que não querem ver que vamos, cada vez com mais certezas, para o fundo, sem capacidade para resolver, como era hábito, as questões de vária ordem do nosso dia-a-dia. Pieguices, naturalmente, como iria alguém…
            A panela de pressão em que transformaram Portugal não tem pirulito. Pode, por isso, explodir a qualquer momento. E depois?

Sem comentários:

Distraídos crónicos...

Contador de visitas

Contador de visitas
Hospedagem gratis Hospedagem gratis

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha foto
Montemor-o-Novo, Alto Alentejo, Portugal