sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Os ditos da fofa (parte 1)




Já me ando a repetir. Mas no preciso momento em que alinhavo estas ideias não sei se o meu futuro e o futuro dos meus vão estar dependentes de um governo dito de direita, se de um governo dito de esquerda. E isso preocupa-me. Ambas as possibilidades me preocupam. Gostaria de acreditar que qualquer um serviria para nos oferecer a estabilidade de que precisamos para a nossa vida. No entanto, pensar assim é atingir um nível de estupidez a que não me posso permitir. A minha fofa, consciente das minhas preocupações, regressou um bocadinho ao passado para concluir umas coisas que se para nós são óbvias, já tal não são para a maior parte dos portugueses que sofre, indiscutivelmente, de amnésia, autismo e síndrome de Estocolmo. E disse-me ela, um dia destes, à hora do jantar: “Se o governo PS de Sócrates pôs as máquinas a trabalhar e escavou o pântano, o governo PSD/CDS de Passos e Portas alargou o perímetro do dito e empurrou-nos lá para dentro. Por isso, como é possível os portugueses quererem, feitos borregos, que qualquer deles governe o país?” Calou-se pensativa. E exclamou entre duas garfadas de arroz de pato: “Ah! Já sei! O sofrimento nesta terra de passagem é garantia de salvação eterna!”
Sim. Nem no tempo do Salazar havia tanto misticismo e tantos mártires em regime de voluntariado.

In "O Montemorense", Outubro 2015

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