terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Uma paixão sem sindicato



As grandes festarolas organizadas pelos sindicatos dos professores, as comemorações, os desfiles e outras coisinhas assim, já há perto de 5 anos que não contam com o meu contributo financeiro para os comes e bebes, cartazes, faixas e materiais quejandos, simplesmente porque depois de tanto inconseguimento, como diria a mui ilustre e prolixa ex-presidente da Assembleia da República, Sãozinha Esteves, era uma verdadeira burrice da minha parte entregar-lhes uma procuração a troco de um desconto no meu vencimento para me representarem mal, mal, mal, na luta pelos meus direitos.
A carreira de professor, se ainda mantém a dignidade que todos os dias lhe procuramos dar, deve esse estatuto aos próprios docentes, muitos deles prestes a entregar o cartão de sindicalizados, tal como fez este vosso amigo, com uma extremíssima vontade de os mandar cavar batatas, para ver se a economia do país melhorava.
Os sindicatos perderam a força e não conseguem alterar na lei uma única virgulazinha para que possamos ter um pouco mais de gosto pela profissão. E vamos ficando cada vez mais desgastados com o trabalho (e não estou a falar das aulas) que nos vão obrigando a fazer e com o ordenado cada vez mais emagrecido que nos obrigam a ganhar. E esse desgaste vai-se reflectindo, aos poucos, em todas as áreas e em todos os níveis de ensino.

Portanto, e em suma, devolvi o cartão de sindicalizado, expliquei porquê e comecei a perceber um bocadinho melhor as razões que levaram Margaret Thatchter a andar sempre tão desiludida, direi mesmo tristinha, com os sindicados ingleses. E a inenarrável Dama de Ferro que nunca teve cartão! (Nem Cristo teve biblioteca).

In "O Montemorense", Fevereiro de 2016

1 comentário:

Isabel Lopes disse...

Já somos dois... Sem cartão e com pena que, realmente, "eles" não se dediquem à agricultura!

Distraídos crónicos...

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