sexta-feira, 22 de maio de 2015

Pedro e António






Pedro e António. Personagens históricas? Ainda não. Muito tempo há-de passar até que a História se debruce de forma objectiva sobre eles e faça uma releitura dos seus actos e das suas omissões. Se Pedro e António afirmam categórica e indesmentivelmente que sabem governar Portugal, sabemos que isso não passa de uma cantiga já com barbas, que todos os políticos mais ambiciosos cantam até lhes doer a voz. Não sei se Pedro foi um governante exemplar. Sei aquilo que vejo e ouço, aquilo que não vejo e não ouço. Com a política de aumento de impostos e a diminuição de rendimentos para o Estado tapar os roubos que os de colarinho branco fizeram, parte da população do nosso país entrou no limiar da pobreza. E veio tudo em catarata: o encerramento de fábricas e restaurantes, a falência do pequeno comércio, o desemprego, a emigração de mentes e braços de qualidade mas desprezados.
A Ditadura do outro António era visível e impressionante. A de hoje remete-nos para um silêncio envergonhado porque só quem tem dinheiro pode ser livre de falar. Por isso, não sei se Pedro, se António, se outro qualquer tem capacidade, talento e generosidade para nos devolver a confiança perdida, para nos mostrar que Portugal ainda é possível, tanto para nós como para os nossos filhos e netos a quem deixámos, involuntariamente, uma herança armadilhada, um abismo que os vai começar a sugar logo que decidam “fazer pela vida”.
O erro que se vai repetir em breve é o mesmo de sempre: é o de permitir esta eterna alternância, entre o laranja e o rosa (com uns laivos de azul), este agora-tu-agora-eu-depois-tu-depois-eu que tem, comprovadamente, levado os portugueses a uma existência pouco digna.


In "O Montemorense", 20 de Maio, 2015


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