segunda-feira, 14 de setembro de 2026

De regresso...

 


Foto: Município de Montemor 


De regresso…

 

… e logo com três coisinhas para pôr à consideração dos meus 10 leitores (recebi recentemente uma mensagem a dizer que mais dois se tinham juntado a estes viciados em Cloreto de Sódio.) Serão mil, mais uma, menos uma, as palavras que irão preencher este espaço que me recebeu em 2003, depois de 14 anos de ausência. Não me arrependi deste regresso ao jornal "O Montemorense", a convite do Padre Manuel Vieira e da Dadá Mouzinho Almadanim, para inaugurar esta meia página de liberdade, só para contrariar os que pensavam que não se podia ter uma opinião que fugisse à linha editorial de um jornal cristão. 

            Mas o regresso, tema desta crónica, é o regresso à realidade de todos os dias, após as férias que passaram, como é hábito, a correr. Não foram tranquilas em termos de notícias. Não vou conduzi-los às guerras que continuam a massacrar inocentes, devido à incúria, à ganância e, atrevo-me a escrever, aos ataques de loucura megalómana de alguns. Não vou recordar aqui as catástrofes que atingiram vários países do Globo, provocando milhares de mortos, feridos e desaparecidos, desta feita por culpa nossa que não soubemos cuidar do planeta, julgando que os seus recursos e as suas estruturas eram inesgotáveis e indestrutíveis. Venho, sim, de forma breve, referir três acontecimentos que merecem alguma atenção, por motivos diferentes.

 

1

O Eclipse total de Luís Neves…

 

            … seria na verdade o melhor que poderia acontecer. Mais para o Governo de Montenegro do que para nós, cidadãos, sempre a levar com estes casos que, a serem provados, se revelam de uma falta de ética e de sentido de Estado sem precedentes. Não vale a pena continuar a chover no molhado, quando, na verdade, o que se esperava era uma atitude corajosa do primeiro-ministro para pôr fim a tantas polémicas e às infindáveis desconfianças que rodeiam o ministro da Administração Interna.

Num piquenique entre amigos, se o Homem da Grelha, a figura mais importante da festarola, não retirar a tempo das brasas o entrecosto ou a bela febra, pelos quais é responsável, corre o risco de os deixar esturricar, deixando estes petiscos de servir a quem quer que seja.

Manter um ministro do seu Governo na chapa, em lume cada vez mais espevitado pelo vento da discórdia, é matar deliberadamente alguém que ainda lhe poderia ser útil. Se o entrecosto ou a febra pudessem saltar eles próprios da grelha a tempo e horas, perante aquela triste morte anunciada, não tenho dúvidas de que o fariam. Luís Neves, porém, esturricado até ao tutano, diz que continua a ter confiança em si próprio: o cúmulo da soberba e da inconsciência absoluta.

 

2

A Noite Branca por um dia…

 

            … na nossa velhinha Rua de Aviz, estética e utilitariamente maltratada no último mandato de Hortênsia Menino, recebeu, conforme pôde, mais uma edição da Noite Branca. Não tive possibilidade de estar presente como estive nas edições anteriores, porque a minha vida social, em tempo de férias, é intensa e alguém teria de ser privado da minha humilde presença. Mas vi fotos, assisti a vídeos e falei com amigos que estiveram por lá a espalhar magia no meio de várias centenas de pessoas. Foi uma animação, com as lojas abertas até tarde, com música, dança, comida, bebida, muitas fotos para o Instagram, muitos conterrâneos em convívio e a deixar as preocupações noutras ruas que não naquela. Tive alguma pena de não ter estado por lá, mas outros valores, muito mais altos, se levantaram. (Creio que a malta alinha de boa vontade nesta iniciativa porque, na cidade, deixou de haver lugares de convívio para se beber um copo, para encontrar amigos, para sair com os filhos ou os netos. Montemor é um vazio de espaços nocturnos. Montemor está a ficar às moscas.)

            Mas tudo o que se passou nessa Noite foi mágico, divertido, único, com o pessoal vestido de branco, a falar bué e a beber gin, a comer farturas e má-na-sê-quê. E pronto. Foi um serão em que a Rua de Aviz se vestiu de branco e viu o seu comércio valorizado, a ser visitado mais do que o habitual, facto importante e pretexto principal para a organização do evento.

E agora? Agora, fazendo aqui um facílimo exercício de memória, sabemos todos que os 364 dias que se vão seguir serão, e disso não temos dúvidas, iguais, monótonos, com o comércio às moscas e os comerciantes a tentarem fazer milagres para pagarem as rendas e para não fecharem as portas. Então de que servem as Noites Brancas na nossa Rua de Aviz? Para os montemorenses passarem um serão juntos e animados. Para nada mais.

 

 

3

A Feira da Luz

 

            A Feira da Luz é, de facto, um certame com algum peso no panorama nacional com a preciosa ajuda da Apormor, parceira da autarquia e que faz da sua exposição de gado uma das maiores e mais importantes do país. Fui assistir, tal como faço todos os anos religiosamente, às cerimónias de abertura, com as individualidades políticas presentes a ouvirem atentamente o discurso do Presidente da Apormor e do Presidente da Câmara, que, na minha opinião, falaram muito, muito (isto é muito, muito subjectivo)… quando o pessoal queria era ir divertir-se. E todos os convidados na linha de honra ouviram atentos os balanços e as intenções dos ilustres oradores? Uhmmm, tal como nas aventuras de Astérix, houve meia-dúzia de irredutíveis gauleses que se estiveram a borrifar para os discursos de César.

            Dada uma volta ao recinto, concluímos que a Feira foi mais ou menos igual às feiras de anos anteriores. Destaque para a magnífica exposição “Cidadãos do futuro: depois da liberdade, o que fazemos com ela?” – a história do concelho do pós-25 de Abril, profundamente documentada, deixando-nos imersos na nossa própria essência como povo e como comunidade. A reflexão vem depois, longe do burburinho da festa, porque há quem queira, desde há algum tempo, mandar prender a Liberdade.  

João Luís Nabo

In "O Montemorense", Setembro de 2026

 

Distraídos crónicos...


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