sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Por uma causa (autor: Pedro Coelho)


Com a devida autorização do autor, transcrevo o texto publicado na SIC online:

2008 foi um ano de susto. Percebemos todos o que significa realmente a globalização e o efeito dominó da cadeia de desgraças que um sistema global provoca. Ouvimos falar de crise em Setembro e, em Dezembro, o mundo inteiro viu-se plenamente contaminado pelos efeitos dessa hecatombe do sistema financeiro americano. Este quadro, de tão imponente, limita-nos, a tal ponto que, muitos de nós, vamos ficando paralisados, incapazes de reagir, sequer, ao que as crises também têm de bom; porque também servem para desafiar a nossa capacidade de mudança, apelam à nossa imaginação para criarmos, nas cinzas do tempo, outro tempo. A crise financeira promove a hibernação colectiva, e, todos os que despertarem, terão sucesso.
Dificilmente poderíamos encontrar no país classe profissional mais espezinhada, pela sociedade em geral e pelo poder político em particular, do que a dos professores. Ainda assim reagiram, conquistando, primeiro, a sociedade e fragilizando o poder político depois.
Os professores mostraram à saciedade que o autoritarismo é a arma dos fracos e que, em democracia, a política autista enleia nas redes da desgraça quem insiste em decidir fechado sobre si próprio.
Este ministério da educação lembra-me uma conferência do arquitecto Tomás Taveira a que assisti em 1985, no auge da crítica à arquitectura arrojada das Amoreiras. Soube nesse dia que os 3 edifícios eram, na cabeça do arquitecto, uma dama protegida por dois cavaleiros; mas soube, igualmente, que o arquitecto esteve sempre surdo à crítica. Fechou a conferência com uma frase que jamais esquecerei: “Não são as Amoreiras que estão mal na cidade, a cidade é que está toda mal, revelando-se incapaz de acolher as Amoreiras”.
Lendo os pensamentos da ministra da educação sinto ouvi-la dizer: “Não é o processo de avaliação que está errado, o que falha são os professores”.
A comparação falha num único pormenor: tornámo-nos, todos, indiferentes às Amoreiras, mas, infelizmente, pais, filhos, professores, escolas não conseguiremos, nem agora nem depois, ficar indiferentes aos efeitos negativos, e em cascata, de uma política errada.
Quando uma classe inteira, de todas as cores políticas, não concorda com uma determinada medida, quem a quer aplicar, ainda que pelas melhores razões, não o poderá fazer… e nem deve pensar, sob pena de apenas alimentar o autismo, que os professores são figuras amorfas que se deixam moldar pelos sindicatos.
2008 ficará marcado, pela positiva, por essa associação colectiva de toda uma classe à volta de uma causa.
E precisamos tanto de acreditar, e de lutarmos por aquilo em que acreditamos!

Pedro Coelho

Distraídos crónicos...

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