domingo, 8 de agosto de 2010

Pois é...


O professor  e escritor brasileiro Affonso Romano de Sant'Anna produziu um texto que a minha mulher partilhou comigo recentemente. Aqui fica, dedicado desta vez a todos os que poderiam, pelos motivos que adiante entenderão, escrevê-lo sem alterar uma única vírgula.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos. É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estouvanados. Crescem sem pedir licença à vida. Crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância. Mas não crescem todos os dias de igual maneira. Crescem de repente. 
Um dia sentam-se perto de nós no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que sentimos que já não podemos trocar as fraldas àquela criatura. (...) A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil (...).
E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros. Principalmente com os erros que esperamos que não repitam. Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos próprios filhos. Dixámos de ir buscá-los à porta das discotecas e das festas. Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judo. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. 

5 comentários:

Liebend disse...

A minha Mãe já me disse isto nas palavras dela. Como lhe custa ver um filho andar sem precisar que lhe segurem a mão e lhe indiquem o caminho, ele escolhe por si. No entanto, e apesar de crescermos,há sempre uma criança dentro de nós que, quando as coisas se tornam demasiado difíceis e complicadas, grita: Mãe!!! Pai!!!
Falo por mim, pelo menos... Há dias que faz um berreiro cá dentro que sou mesmo obrigada a fazer uma chamadinha.
^-^

Cloreto de Sódio disse...

Como te compreendo! (Espero que estejas em forma!) Abraço.

Leonel Craveiro disse...

É a isto que chamamos Vida, simplesmente porque existimos e queremos deixar existência.

Rosa Borrazeiro disse...

Permite-me que te responda com algo que me fez reflectir há muito, muito tempo...

"Vossos filhos não são vossos filhos.
São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, a vós não pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis faze-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois o arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas, são arremessados.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com Sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco, que permanece estável."
Kahlil Gibran

kalikera disse...

Definhas pela suas rijezas.

Distraídos crónicos...

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