segunda-feira, 23 de maio de 2011

Poema freudiano para a nossa Mãe


Espaço –Tempo
Caos -Mansidão
Batalha - Derrota
Guerra - Vitória
Confessionário - Segredo
Divã -Palavra
Olhar - Paixão
Entrega - Regaço
Comédia – Tragédia
Balada - Sardet
Mulher – Mãe

Mãe
Mãe
MULHER


                                                                            Parabéns do Pai, do João, da Joana e do Pedro

                                                                                   23/05/2011

sábado, 14 de maio de 2011

É pá! Chiça!!


(Eu e o  Manuel Filipe Vieira - o único que se disponibilizou para minha testemunha de defesa, caso o processo avance. Tínhamos acabado de chegar ao fim da caminhada!)


É, pá! Palavra de honra que não sei como começar! Frustrado. É como me sinto. Porque continuo sem saber como hei-de expressar a minha raiva e o meu desgosto por ter sido achincalhado durante anos pelas Maiorias e pelas Oposições quem têm chupado Portugal até ao tutano, sentadas naquela Assembleia da República, onde se têm dito as maiores barbaridades e aprovado as leis mais absurdas e oportunistas, cortando o pio a quem vê a coisa de outra forma.

Burro. Tenho-me sentido burro, porque deixei de perceber o que querem os políticos de mim, da minha família, da minha comunidade, do meu país. Desconfio deles quando falam verdade. Não sei quando omitem a verdade. Ignoro as vezes que filosofam um chorrilho de mentiradas, porque as verdades são demasiado duras de se dizerem e porque esgotaram as soluções para os problemas que criaram e que nos permitiram, a nós cidadãos, ajudar a criar. E é devido a este meu estado de descrença, e por ter concluído que, infelizmente, muitas coisas que a gente aqui disse acabaram por ser verdade, que me apetecia fazer greve à escrita. Greve à opinião. Greve à participação cívica através desta coluna que, pelos vistos, não tem servido para nada.

Termino para informar os meus 9 leitores (10 - desculpa, Leonel) que estou tão deprimido que nem apetece fazer piadas fáceis com a minha fofa. E nem vou fazê-lo tão cedo. Pelo menos até o processo que ela me levantou e que já tem nome na imprensa (O Caso da Ecopista, da Fofa e das Amigas Caminhantes) estar resolvido em tribunal. Eu até já fui fazer uma caminhada, a conselho do meu advogado. Pode ser que me sirva de atenuante.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Continuo a ensinar mas... sob protesto


(Foto: V. Jacinto)

Reconheço que uma mudança para melhor pode significar algum sacrifício. Mas tenho de desabafar aqui uma coisa que me anda a apertar a goela há uns tempos. Enquanto a Escola Secundária estiver em obras, sinto-me uma ovelha no redil assim que entro naquele conjunto de monoblocos, nome pomposo para uns vulgares contentores. Porquê? Os pais e encarregados de educação que já lá estiveram sabem do que estou a falar: o calor nas salas é insuportável, o bar é exíguo, a tenda-polivalente funciona só de Verão, não há condições para a prática de desporto, a insonorização não existe e os alunos podem aprender Inglês, História, Francês, Geografia, tudo ao mesmo tempo, devido à proximidade dos monoblocos e porque a estreiteza dos corredores que os separam acaba por tornar o espaço de ensino-aprendizagem numa espécie de pavilhão multi-usos onde se conversa, canta, brinca, estuda, discute e se dá aulas. E onde diariamente se pode levar com uma porta no trombil se não tivermos o devido cuidado.
A culpa não é da direcção da escola, a culpa não é do corpo docente, a culpa não é dos funcionários nem dos estudantes. Todos nos esforçamos para a coisa deslizar o melhor possível. Na verdade, queremos uma escola nova, moderna, com todas as condições que a anterior não tinha e que este “acampamento” também está muito longe de ter. Estávamos dispostos a alguns sacrifícios, mas estes estão a ser demasiados. “E tinhas alguma alternativa, ó chico-esperto?”, perguntará um dia o Ministério, se chegar a ler este desabafo.

Eu ter… tinha. Mas não sei se esta solução (nem nunca irei saber) seria viável. Mas aqui vai: construir a nova escola noutro espaço e ir mantendo a antiga, o melhor possível, até à mudança. Se aguentou trinta e muitos anos sem cair, não era agora que ia desabar de um dia para o outro. Com tantos terrenos para estádios de futebol, auto-estradas, campos-de-nada-para-nada, e mánasêquê, não haveria um espaço alternativo para a nova Escola Secundária de Montemor-o-Novo? O Governo Central não poderia ter entrado em negociações com a autarquia ou com proprietários privados (que eu disso não entendo muito)? Provavelmente, não.

Sei que não somos a única classe profissional a viver esta experiência. Por exemplo, os funcionários do Registo Civil e do Registo Comercial, sediados no Tribunal da cidade, também estão há largos meses em contentores e em condições que não lembraria ao diabo. Acreditem, caros leitores, a minha pica (como se diz agora) pelo ensino vai-se toda logo que entro naquele portão. Mas os alunos são, eles sim, os menos responsáveis de todos. E, por isso, disfarço e finjo (não sei durante quanto tempo vou aguentar mais) que está tudo bem.

Resta-me uma esperança. Se a moda dos contentores pega e com o país a precisar de reestruturação, penso que, por este andar, vai Portugal inteiro para dentro de contentores, enquanto aguardamos que se construa uma nova nação. De raiz. É que, mais uma vez, os políticos andam a ver tudo ao contrário: não é este velho país que precisa de escolas novas. As escolas velhas é que precisam de um país novo.

Pronto.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Laborinho Lúcio e Pascal Paulus em Montemor











“O exercício da autoridade por parte dos professores é fundamental para a formação do aluno”, referiu o juiz conselheiro Laborinho Lúcio na sua intervenção, no dia 11 de Maio, no Auditório da Biblioteca Municipal, em Montemor-o-Novo.

Esta foi uma das muitas ideias relacionadas com o ensino e a educação para a cidadania que serviram de mote para uma reflexão séria sobre o tema, neste encontro moderado por Marisa Silva, com o suporte de um extenso trabalho de campo da responsabilidade de Pascal Paulus, professor e pedagogo, autor de um profícuo trabalho prático na área do ensino de alunos provenientes de bairros sociais.
Segundo Ana Isabel Casadinho, presidente da Porta Mágica – Associação de Solidariedade Social, entidade promotora do evento, a conferência foi organizada com o objectivo de procurar “entender a escola, a família e a comunidade como uma trilogia indissociável, cujo objectivo primeiro é a formação do ser humano em toda a sua dimensão física, psicológica e social.”
Participaram professores de vários níveis ensino, pais e outros interessados nestas matérias. Presentes estiveram também o Vereador da Cultura, Desporto e Educação, João Amaro Marques, e o Director da Segurança Social de Évora, José Oliveira.

sábado, 7 de maio de 2011

Coral de São Domingos no cinema



Em Abril de 2005 a peça coral "Señor me cansa la vida", do compositor espanhol Juan-Alfonso Garcia, interpretada pelo Coral de S. Domingos no álbum "Viagens", é escolhida pelo realizador escocês Lee Hutcheon para integrar a banda sonora do filme In a man’s world.
Gravado em 2000, no espaço monumental do Convento de São Domingos, em Montemor, com a etiqueta da extinta Editora Strauss, de Lisboa, num trabalho de gravação do engenheiro de som Fernando Abrantes.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Idiotas de gema

 
Passámos muitos anos com medo de Adamastores, da Igreja Católica, dos padres, dos professores primários, dos médicos, dos polícias, da GNR, dos chefes, dos directores, dos gerentes, dos capatazes. Há cinco séculos que, ingenuamente, sonhamos com um D. Sebastião que venha salvar o Reino. Somos mesmo estúpidos! Aprendemos, ao longo da nossa vida escolar, que a nossa História foi feita por reis e rainhas, ministros e presidentes do conselho. Nunca nos ensinaram que a História foi e é feita por nós, homens e mulheres, cidadãos comuns deste país. Nunca nos quiseram dar protagonismo. Fomos esquecidos, desprezados, minimizados. E aqui estamos nós, já habituados a ficar de fora das grandes decisões, à espera, pacificamente, resignadamente, do garrote que nos há-de sufocar.
Isto é ser-se Português de gema.
É o fado, dizemos nós com ar de idiotas.

domingo, 1 de maio de 2011

A CULPA


A culpa é do pólen dos pinheiros
Dos juízes, padres e mineiros
Dos turistas que vagueiam nas ruas
Das strippers que nunca se põem nuas
Da encefalopatia espongiforme bovina
Do Júlio de Matos do João e da Catarina
A culpa é dos frangos que têm HN1
E dos pobres que já não têm nenhum
A culpa é das prostitutas que não pagam impostos
Que deviam ser pagos também pelos mortos
A culpa é dos reformados e desempregados
Cambada de malandros feios, excomungados
A culpa é dos que têm uma vida sã
E da ociosa Eva que comeu a maçã
A culpa é do Eusébio que já não joga a bola
E daqueles que não batem bem da tola
A culpa é dos putos da casa Pia
Que mentem de noite e de dia
A culpa é dos traidores que emigram
E dos patriotas que ficam e mendigam
A culpa é do Partido Social Democrata
E de todos aqueles que usam gravata
A culpa é do BE do CDS e do PCP
E dos que não querem o TGV
A culpa até pode ser do urso que hiberna

Mas não será nunca de quem governa.

(Autor desconhecido)

Obrigado, Amiga CVO



.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Um ABRAÇO merecido!



No próximo dia 30 de Abril, venha dar um Abraço à Associação 29 de Abril, na comemoração dos seus 20 anos de existência. O espectáculo começa às 21.30 e a receita da bilheteira será para aquisição de equipamentos de apoio à mobilidade dos utentes da Associação. Os bilhetes já estão à venda no Posto de Turismo, em Montemor-o-Novo e custam apenas 5 abraços. Vamos encher o C. Semedo!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 de Abril outra vez


Ontem, no Auditório da Biblioteca Municipal, evocou-se Zeca Afonso: as palavras de Letria foram mágicas e as canções interpretadas pelo Samuel souberam a pouco.

As águas das fontes não se calaram, as ribeiras não choraram, porque Zeca Afonso continuará a cantar, enquanto for preciso alertar consciências adormecidas. Jamais precisaremos de um Estado Novo, mas de um novo Estado, mais justo, mais respeitador e democrático a sério. E com urgência.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Em Abril, cortes mil


Ai, Abril, Abril, por onde andam os teus ideais e as tuas promessas? Faz 37 anos que Portugal se libertou de um querido líder chamado Marcello Caetano, descendente directo de outro querido líder chamado António de Oliveira Salazar, que muitos gostariam de ressuscitar.

Hoje, em 2011, estamos em Abril e o simbolismo do mês e as imagens que, neste momento, vejo na televisão, impelem-me a falar noutro querido líder prestes a ser eleito. Melhor: prestes a ser reeleito. A História dá aos homens as melhores lições que poderemos aprender, mas nós somos como alguns alunos: depois de sabermos como não devemos responder a certas questões, esquecemo-nos desse pormenor nas vésperas do exame e acabamos por cometer os mesmos erros, por esquecimento, por ignorância, por estupidez natural ou por falta de uma horta geograficamente bem localizada. (Não posso ser aqui muito claro, porque há crianças que lêem este blogue.)

Se houve uma crise política, o Povo não é responsável. Se já aí está o Sr. FMI, o Povo não é responsável. Se se injectaram milhões de euros em bancos, de onde criminosos de colarinho branco retiraram outro tanto para si, para as famílias e para os seus negócios, o Povo não pode ser responsável.
Há erros que se pagam caros. Que SE pagam… não. Que PAGAMOS, com um palmo de língua de fora. Um deles foi o nosso querido líder, demissionário e candidato a salvador desta pátria em farrapos, recusar, durante semanas, a ajuda do exterior, quando todos sabiam que estávamos no fundo. Outro, foi o velho professor Silva não ter mostrado o talento, e mais aquilo que a gente sabe, necessário para pôr, atempadamente, ordem neste quintal tão mal frequentado. Vejam lá se isto não faz lembrar aquela frase e atitude célebre do “orgulhosamente sós”?

Agora, só falta, à entrada de cada posto fronteiriço português, estar escrito “Arbeit macht frei” devidamente traduzido para a hitleriana máxima “O Trabalho Liberta”. Sim. Porque, para mim, Portugal passou a ser um campo de concentração alemão. Estou a exagerar? Não concordam? Então, vamos esperar umas semanas e depois logo vão ver…

segunda-feira, 18 de abril de 2011



Os professores continuam a ser muito mal tratados pelo sistema. Primeiro, têm uma ministra que não sabe muito bem o que anda lá a fazer e, depois, têm de aturar encarregados de educação que também não sabem muito bem o que é ser-se encarregado de educação. Imaginem lá estas frases de alguns deles: “Eu não sei o que fazer do meu filho. Resolvam vocês, professores, o problema. Não é para isso que pagamos os nossos impostos?” Acham isto normal? Eu, que sou apenas um simples professor de Inglês de província, não tenho a obrigação, nem a preparação, para resolver os problemas que os pais dos alunos não conseguem ou não querem resolver, por incompetência, balda ou negligência.  Ó que eu gosto mesmo é de ensinar.

domingo, 17 de abril de 2011

A ciguêra com a ecopista.


A minha fofa começou hoje, Domingo, as suas caminhadas na Ecopista. Foi com umas amigas, logo de manhãzinha, e regressou perto da hora de almoço. Sentou-se à mesa (sim, porque estive eu de serviço à cozinha) e arrefinfou-lhe com um cozido à portuguesa, até cair para o lado. Os dois quilinhos que perdera até ao Paião, regressaram-lhe às ancas e à cinturinha de vespa, graças à linguiça, ao chouriço de sangue, ao chispe, ao toucinho entremeado, ao toucinho branco, aos ossos do espinhaço, à tira de vitela, tudo isto acompanhado com um repolhito, uma ou duas batatas e muitas cenouras. Mas tudo sem sopas de pão, porque o pão engorda. Depois, seguiu-se uma pacífica sesta e, pelas 17 horas, um iogurte de soja para disfarçar. No próximo Domingo, vão novamente pela antiga linha do comboio até ao Paião, mas para o almoço já me pediu uma favada com chouriço preto e pedacinhos de toucinho entremeado. E uma enorme salada de alface. E, claro, pelas 17 horas em ponto, um iogurte de soja. A minha fofa leva isto mesmo a sério.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Paulo,o (in)discreto


Paulo Quedas com Dino Samina
(Foto do M. Roque - CMMN)

Agora vou falar do Paulo. Fez uma personagem espectacular nas Zaragatas em Chiozza, um belo texto de Goldoni, encenado pelo premiado (desculpa Hugo) Hugo Sovelas. O Paulo é um amigo, ligado profissionalmente à área do audiovisual, mas que só agora se estreou “mais a sério” como actor. Filho de músicos e irmão de actrizes, tem o sangue das artes em todos os átomos do seu corpo e foi, quanto a mim, que pouco ou nada percebo do assunto, o actor-revelação naquela noite de estreia, no Cine-Teatro Curvo Semedo. Se Dino Samina compôs uma personagem única e marcante, como sempre faz quando se agarra a um texto cénico, Vítor Guita foi o actor-serenidade, a tratar o palco por tu e a dar segurança ao restante elenco. Claro que entre tantos actores e actrizes, tenho de lembrar-me da Ana Paixão, com um papel à sua medida, e com uma descontracção que os actores novatos raramente conseguem ter. Todos os outros elementos da Theatron estiveram fantásticos, mas foi o Paulo que inspirou este texto.
O Paulo Quedas é um puto especial, difícil de encontrar nos tempos que correm. Faz parte do Coral de São Domingos, e até já trabalhámos juntos como “actores” numa produção do Nuno Cacilhas, em que fomos dirigidos por outro jovem único, o Carlos Marques, que também faz arte um pouco por todo o país. O Paulo, constantemente a ser solicitado dentro da sua área de especialização, é um jovem que Montemor deve agarrar sem hesitação. O Paulo é mesmo um puto com talento. Ponto final.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Coral de São Domingos faz 24 anos a cantar



 No dia 16 de Abril, o Coral e São Domingos, de Montemor-o-Novo, vai convidar o Coro Municipal Carlos Seixas, de Coimbra, dirigido pelo maestro João Santos, para o concerto comemorativo do seu 24.º aniversário. O recital de música coral, com início às 18 horas, vai ter lugar na Igreja do Hospital de São de Deus.



Do texto de apresentação do concerto, respigámos esta passagem: “O caminho trilhado por largas dezenas de cantores, alguns que já não se encontram entre nós, é uma estrada sem fim, por onde vamos, ano após ano, deixando as nossas marcas e também parte da nossa vida. O Coral de São Domingos continua a ser um grupo de amigos que gosta de cantar e de fazer novos amigos (…) porque, neste mundo da arte dos sons, nada mais nos interessa a não ser a música e os laços que ela nos oferece.”

Os grupos vão interpretar obras de Kedrov, Schubert, Dalitz, Goodall, Victoria, Palestrina, Melgaz, di Marzi, William Smith, Carlos Seixas, Duruflé, Mozart e J. Racine.

terça-feira, 22 de março de 2011

Vivem para sempre!



"A história de Ana pode ser a nossa ou a de alguém de quem gostamos muito. O relato impressionante e corajoso de uma menina de 14 anos que enfrenta um linfoma. Conseguirá Ana vencer a doença? Poderá a menina tornar-se mulher e concretizar o seu maior sonho – ser mãe? Um livro comovente e inspirador, até à última página."

Este é o texto promocional da Editora Guerra e Paz. Muitos pensarão ser apenas, e só, um texto de lançamento. Eu sei que não. A narrativa de Ana Martins, jovem mulher natural de Montemor-o-Novo, é muito mais do que um exercício de ficção. A ler sem demora. No dia 25/03/2011 vai estar à venda em todas as livrarias, FNAC, Continentes e Pingo Doce. 2% reverte a favor da Acreditar.
Daqui vai um beijo apertado para a Ana. Ela sabe porquê.

Nota de última hora: SÓ VIVEMOS DUAS VEZES vai ser apresentado me Montemor-o-Novo, no dia 8 de Abril, na Livraria Fonte de Letras. Os pormenores sobre o evento vêm depois. Apareça. Vai ser um momento único.


quinta-feira, 3 de março de 2011

A Torre


Escrevi uma história chamada “A Troca”, para incluir nos Outros Contos de Vila Nova, com o objectivo puro e simples de inventar uma situação inverosímil e, ao mesmo tempo, divertida, que nos pusesse a pensar sobre os símbolos da nossa identidade colectiva, que contribuem para uma unicidade ainda que entre seres diferentes. Ao mesmo tempo, foi minha intenção mostrar que as soluções mais eficazes para os problemas graves que põem em causa a nossa existência comunitária poderão vir de espíritos esclarecidos que põem a um canto os engravatados e os teóricos do regime. O desaparecimento da Torre do Relógio de uma localidade de província chamada Vila Nova causou, na ficção e durante a promoção do livro, algum sururu entre os habitantes que, aflitos, não queriam imaginar como seria a sua vila sem a Torre, sem o seu ponto de referência. Pois hoje, alguns dias depois do dia 22 de Fevereiro, essa metáfora tornou-se mais profunda e alcançou um significado que, na altura da produção da história, eu não poderia imaginar. Porque há torres únicas, insubstituíveis, que, ao desaparecerem para sempre do nosso horizonte físico, nos deixam perdidos, naufragados, sem bússola, sem pontos cardeais. E agora, João Luís?

Para o nosso pai, seremos sempre as eternas crianças, que necessitam de conselhos e de protecção. Para o nosso pai, será sempre importante, mesmo imprescindível, um aviso, uma sugestão, um conselho. Mesmo que já tenhamos a barba branca e o cabelo a rarear. Para o nosso pai, o nosso bem-estar é o seu bem-estar e a nossa felicidade é a sua felicidade. Mesmo que já tenhamos filhos e que estejamos sujeitos a ser avós como ele. Não interessa a nossa idade. Ser-se pai é um estatuto, um vício, uma paixão temerosa. Não sei como é o vosso pai. Mas o meu era assim. Todas as decisões marcantes da minha vida tiveram sempre, se não o seu aval, pelo menos o seu ponto de vista, discreto mas firme.

No dia 30 de Outubro passado, o meu Pai esteve comigo na cerimónia de apresentação dos “Outros Contos…”. Foi o momento certo. Foi uma altura única. Dias depois, teria sido impossível a sua presença. Não acredito em deuses, nem nos astros, nem em bruxas, nem em fadas, mas acredito na conjugação de factores. Se o dia 22 de Fevereiro, dia do seu desaparecimento, foi, até agora, o dia mais triste da minha vida, o dia 30 de Outubro, revelou-se, por contraste, um dos mais felizes.

A resignação com que aceitou a doença, a lucidez com que se despediu da vida, os planos que traçou horas antes da partida revelaram uma clarividência de espírito e uma grandeza rara que eu nunca saberei ter. Tal como o Zé Sebastião, o funcionário da Câmara de Vila Nova que solucionou o problema do desaparecimento da Torre, também ele sabia ver muito primeiro que outros, cheios de teorias e diplomas. Mesmo fragilizado, foi sempre a minha Torre, o meu Refúgio, o meu Farol. E vai continuar a sê-lo até eu, um dia, me juntar a ele. Obrigado Pai por teres sido meu pai.

E hoje, caros leitores, não é que vocês não mereçam, mas não tenho mais palavras para escrever. Apenas um obrigado a todos os que, directa ou indirectamente, manifestaram o seu pesar e me abraçaram emocionados e acarinharam a minha mãe, uma mulher-coragem que Brecht não desdenharia conhecer.



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Distraídos crónicos...


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