terça-feira, 19 de janeiro de 2010

As crianças e a nova lei das uniões


Aprovada a proposta do Governo que legaliza os casamentos homossexuais, a questão complica-se no que se refere ao direito de adopção. Este é um ponto mais sensível, porque dele vai depender não a vontade e a orientação sexual de adultos que fazem o que bem entendem com quem entendem, mas a construção do ambiente mais adequado possível para o crescimento, formação humana, espiritual e também sexual de crianças. Estas necessitam de modelos diferentes de comportamento para que as suas escolhas se possam manifestar de forma natural.

Uma criança, que cresça numa família com dois pais ou duas mães, terá, forçosamente, influências diferentes daquelas que receberão as que cresçam no seio de uma família chamada tradicional. Não é uma opinião. É um facto. Mas surge o clássico dilema, radical e que não ajuda muito a encontrar uma resposta sensata: o que preferimos? Crianças na rua, abandonadas, mal-tratadas pela família de origem ou, em alternativa, adoptadas por um casal homossexual? A questão não pode nunca colocar-se desta forma, porque peca por demagógica e tira seriedade aos que defendem a causa.

Há, no entanto, uma perversidade em toda esta problemática: as mulheres podem engravidar, mesmo sendo casadas com outra mulher. Não poderão ter o filho, criá-lo e educá-lo, mesmo vivendo com outra mulher? Muita tinta há-de correr sobre esta temática e ninguém se vai entender tão depressa. Uma coisa é certa: as crianças merecem ser felizes.



3 comentários:

Antonio disse...

Grande questão, sim senhor. Há que reflectir e bem, antes de se fazerem leis a martelo.

adriano disse...

Tomo como certo que cada caso é um caso e a ponderação (não demagógica, quer por defeito quer por excesso) indispensável. Por isso entendo que a minha infância, juventude e mesmo a minha vida de adulto é um testemunho, talvez útil, para essa ponderação.
Fui criado por mulheres sem a invocada imprescindível presença masculina, não incluindo obviamente os amigos - mesmo no campo das amizades sempre tive boas amigas - no sentido puro da amizade.
Este facto não influenciou a minha opção sexual, nem tão pouco a minha formação como pai e cidadão. Tudo o que sou devo exclusivamente a essas constantes presenças femininas e nunca dei dei conta que essa realidade tivesse sido danosa para a minha personalidade.
Na verdade o que contou sempre foi o carinho e amor que todas me dedicaram.
Aos educadores, seja de que contexto se fale, tem que ser pedida uma boa formação de caracter.

Carlos Machado Acabado disse...

Há um enorme sofisma neste aspecto da questão: é evidente que o ambiente familiar com toda a constelação de referências que envolve vai inevitavelmente repercutir, para o bem e para o mal, sobre a construção da identidade dos indivíduos.
É também óbvio que o conjunto de referências identitárias com que se depara uma criança adoptada por um casal heterossexual é necessariamente distinto das que se apresentam a uma outra adoptada por um casal homossexual.
Isso levanta não menos obviamente questões de imediato melindre para a criança em si como para a mesma criança enquanto indivíduo em sociedade, i.e. na sua relação com os outros.
A questão é: se se considera que os casais homossexuais são uma figura jurídica legítima [er são-no] mas, se por outro lado, ninguém pode ignorar o tipo de problema que essa figura jurídica inevitavelmente introduz na sociedade, a solução só pode ser um trabalho consistente de pedagogia cultu(r)al que confira aceitabilidade social efectiva e generalizada àquilo que já é, hoje-por-hoje, uma realidade jurídica legítima.
Ou seja: não basta ao poder político ter legalizado as uniões homossexuais e "lavar as mãos" das situações, potenciais ou reais, que essa medida vem gerar.
É preciso, exactamente ao contrário, que todo um trabalho subsequente de, volto a dizer, pedagogia social e cultural torne natural a aceitação por parte do conjunto da sociedade portuguesa de uma realidade que, por ser nova precisa de ser cuidadosamente gerida enquanto facto ou realidade do quotidiano, digamos assim.
Eu não creio que existam problemas identitários insolúveis se os papéis modelares de pai e mãe, do "father" e da "mother image" paradigmáticos, não forem cumpridos nos exactos moldes em que comummente o são.
Creio que uma parte decisiva das perturbações identitárias possivelmente resultantes para as crianças que crescem nos novos agregados familiares são fenómenos de natureza secundária ou consequencial, isto é, são, na [in?] essência, circunstâncias culturalmente induzidas que podem ser evitadas.
Se se trabalhar com seriedade, com rigor, com consistência, a nível da mudança substancial e substantiva das consciências e das mentalidades, os problemas serão, a meu ver, em larguíssima medida reduzidos a casos esporádicos sem expressão substantiva.
É hipócrita dizer apenas que uma criança com pais adoptivos homossexuais vai inevitavelmente ser objecto de censura social, por exemplo.
Não o são já hoje, de um modo ou de outro, as crianças obesas?
As de raça diferente?
As portadoras de defeito físico ou mental?
E é crime ser gordo?
Preto ou amarelo?
Coxo?
É legítimo ser-se vítima de "bullying" por ser uma destas coisas?
O defeito não está, em caso algum, nas vítimas: está na sociedade que vitimiza.
É sobre esta que é imperativo agir.
Sobretudo agora que a situação está criada.

Distraídos crónicos...

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