sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Um próspero 2060


(Foto: Joaquim Serrano)

Estive quase a começar este arrazoado de ideias como se estivéssemos em Janeiro de 2060. Daqui a 50 anos, se a imaginação nos ajudar, podemos acreditar que grande parte da crise que o país vive hoje vai estar completamente sanada. O desemprego já não passa de uma má recordação, Sócrates também, e o poder deixou de estar na mão de políticos que não o sabem usar em proveito do país.

Os professores voltaram a ser uma classe profissional respeitada pelo ministério da educação, os competentes continuam o seu trabalho sem sobressaltos e os incompetentes deixaram de fingir que são competentes porque foram obrigados a mudar de vida. Bem como os engenheiros e arquitectos, médicos e funcionários das repartições públicas, e outros, que lidam directamente com o bem-estar dos cidadãos. As escolas, finalmente, têm condições para poder concretizar as mil e uma actividades que os nossos alunos merecem, com a certeza absoluta de que aquilo que estão a fazer serve mesmo para o seu futuro e para a sua formação humana, cívica e intelectual.

A União Europeia entendeu que é fundamental cada país aproveitar ao máximo os seus recursos naturais e, por isso, Portugal voltou a cultivar os campos e as hortas e os pomares e os montados e os olivais… Os reformados vivem com o conforto e a reforma suficientes para poderem gozar tranquilamente os seus últimos anos de vida. Os passadores de droga, os violadores e os corruptos de colarinho branco, e com outras cores no colarinho, estão de facto presos e sem hipótese de repetirem os crimes pelos quais foram pesadamente condenados. Os polícias e as restantes forças da autoridade podem usar pistolas em vez de walkie-talkies para se defenderem e defenderem os bens dos cidadãos.

Não há velhos e novos a viverem nas ruas das grandes cidades. Não há crianças com fome, a dormir ao relento ou em vãos de escadas. As fábricas, fechadas durante o consulado de Sócrates e seus amigos, voltaram a abrir, os desempregados voltaram a ganhar o pão de cada dia e a poder cumprir os seus compromissos. O acesso gratuito aos cuidados de Saúde e à Educação é, agora, um direito de todos os portugueses.

O Presidente da República foi substituído pelo D. Afonso de Santa Maria, Príncipe da Beira e duque de Barcelos, filho de D. Duarte Pio de Bragança, já falecido, e os portugueses concluem que não há diferença entre um P.R. e sua Majestade, porque as funções, quer de um quer de outro, são meramente de adorno e atracção turística.

Mas não. Não estamos em 2060. Estamos em 2010, ainda em pleno exercício do Governo socialista que, gritando ser vítima de cabalas, perseguições e má-fé, continua a governar não se sabe ainda bem como nem porquê. Talvez porque o Presidente da República também não veja alternativas quando, em Abril, tiver de dissolver o Parlamento. Acusam-me de ser pessimista. Que não se confunda pessimismo com a verificação da incompatibilidade a que se assiste entre os actuais políticos e o país. E, sim, o Governo e o país são incompatíveis.

Nota breve: quando chegarmos a 2060, iremos decerto comemorar o centenário de um dos edifícios mais emblemáticos da cidade de Montemor-o-Novo, o Cine-teatro Curvo Semedo, para compensar a aparente ausência de comemorações em 2010, marco dos seus cinquenta anos de vida. Tenho pena porque, nessa altura, já cá não estarei.




12 comentários:

Anónimo disse...

Caríssimo:
Gostava de estar cá por essa altura para ainda viver no que seria o mais próximo do conceito de paraíso. Mas, sinceramente, tenho muita dificuldade em acreditar que em cinquenta anos se consiga tamanha transformação a nível de mentalidades. Não que seja um descrente dos actuais jovens, mas receio que quando lhes passar a fase dos idealismos comecem logo a seguir os (maus) exemplos vindos de cima.

Sonhador frustrado

Anónimo disse...

O Presidente da República foi substituído pelo D. Afonso de Santa Maria, Príncipe da Beira e de duque de Barcelos, filho de D. Duarte Pio de Bragança, já falecido, e os portugueses concluem que não há diferença entre um P.R. e sua Majestade, porque as funções, quer de um quer de outro, são meramente de adorno e atracção turística.
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O sr. é mesmo um zero à esquerda! Um Rei não substitui PR nenhum. Um PR é um coitado porque quer ser rei mas não consegue porque está "partido", pertence ao partido que o vai buscar não sei onde e aparece como homem para se servir do Estado e do povo.
Um Rei nasce para o ser porque recebe preparação para reinar, SERVIR A NAÇÃO, O ESTADO E O POVO.

Sua Alteza Real, O Senhor Dom Duarte Pio de Bragança, está vivo e graças a Deus goza de boa saúde. É Pai realmente d Sua Alteza Real, O Príncipe da Beira, Dom Afonso de Santa Maria.
VIVA O REI!

Cloreto de Sódio disse...

Pois que VIVA!
E obrigado pela visita, caro monárquico!

Leonel Craveiro disse...

Pois o nosso monárquico não perecbeu que o D. Duarte, em principio, não deverá estar vivo daqui a 50 ANOS, altura em que o seu filho, "poderia ocupar o trono".
Para mim tanto me faz, que venha o diabo e escolha. Mas gostaria mesmo que este país mudasse a esse nível.
Abraço.

Leonel Craveiro disse...

Ressalva.
Ao nível daquilo que está na peça, se é que me fiz entender, com Rei ou sem ele.

Cloreto de Sódio disse...

Pois, com ou sem rei, claro. O rei é o menos. E, sim, o Senhor Dom Duarte Pio estará morto em 2060. É mais do que certo. Abraço.

Cloreto de Sódio disse...

P.S.: E eu, provavelmente, também. Por muito que isso me custe. :))

Unknown disse...

Caro ZERO A ESQUERDA,
é certo que vivemos tempos dificeis e que sonhar é bom e ajuda-nos a ver o nosso futuro de outra forma.
Pedirei a DEUS que pela sua vontade me deixe viver até aos meus 86 anos para poder ser testemunha deste maravilhoso PAIS que você idealizou.Parabens pelo "Um próspero 2060"
Um abraço...

Cloreto de Sódio disse...

Caro Luís:
Brindaremos juntos à chegada do 2060. Você deu-me um novo alento. Até lá, se não for antes! :)

Leonel Craveiro disse...

Esperança.
O tempo passa a correr, ainda ontem estava a malta assustada com o boom informático de 2000 e já lá vão 10 anitos.
São só mais 50, não é nada, é já ali!

Anónimo disse...

Posso assegurar-lhe que estão na calha algumas iniciativas comemorativas dos 50 anos do Cine Teatro. Aguardemos pois. Abraços, Carlos.

Cloreto de Sódio disse...

Aguardemos, um pouco mais animados. Abraço.

Distraídos crónicos...

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