Não tenho escrito, porque os Amigos não precisam de escrever-se constantemente só porque sim. Sei que passamos muito tempo sem uma conversa, um café ou um petisco à maneira. Qualquer um de nós acaba por ter uma vida absorvida pela família, pelos problemas normais do quotidiano e pelas preocupações acrescidas que este maldito tempo de crise nos dá. No entanto, a ausência de encontros ou de telefonemas mais frequentes é, por vezes, substituída por uma ou outra mensagem no Facebook, espaço onde muitos vão estando a par dos momentos mais ou menos importantes da vida de cada um de nós. Já não é mau, apesar de tudo.
Mas sei que, se um de nós partir, lá estarão todos, com tempo suficiente, para lhe dizer adeus. É aí que, por vezes, e sem que isso signifique qualquer atitude de desrespeito, acabamos por pôr a conversa em dia. Porque nos outros dias não há tempo. Nós próprios chegamos juntos a essa conclusão tão irónica mas que é fruto dos nossos tempos: a falta de tempo. Mesmo na nossa querida “aldeia” que, disse-me alguém um dia, parece cada vez mais uma grande metrópole. Sei, no entanto, que os Amigos, de todos os tempos e de todas as idades, estão no Sítio Certo quando precisamos deles. É isso que continua a confortar-me neste Natal que se aproxima.
Termino esta carta, desejando a todos uma Consoada pacífica e feliz e votos de Coragem e de Perseverança para um Ano Novo que de novo nada terá.
Talvez em momentos de menor fartura, acabemos por estar juntos mais vezes. Há sempre o lado bom das coisas menos boas.






















