sábado, 23 de maio de 2009

Estamos a terminar o ano lectivo. Falta apenas pouco mais de um mês. Fizemos um esforço para, apesar das justas manifestações de rua e da reforçada instabilidade em que passou a viver a maioria dos professores, não deixarmos transparecer nas turmas as nossas aflições. Nem sempre foi fácil esse jogo de cintura.
Grande parte dos professores que conheço sempre tem defendido a necessidade de reformas, sobretudo para se fazer, de uma vez por todas, a distinção entre quem é professor de carreira e quem é professor pára-quedista. Continuamos a acreditar, porque estamos com dezenas de alunos diariamente, que esta reforma do ministério da, agora muito silenciosa, professora Maria de Lurdes Rodrigues não é a reforma correcta, já que enferma de graves falhas, sobretudo no que se refere aos processos de avaliação, quer dos alunos, quer dos professores. Sinto que, se não houver alterações a breve prazo, os livros que os alunos são obrigados a comprar, mas não a ler, não serão suficientes para salvar este país cada vez mais estúpido, da bancarrota do conhecimento e do sentido de responsabilidade. Começo a acreditar que muitos dos alunos de hoje, futuros professores dos meus netos, não saberão ensinar nem a ler, nem a escrever, nem a fazer contas, porque apesar de chegarem a doutores e a engenheiros também eles sentem dificuldades nessas matérias. Cumprindo à risca a legislação actual, os professores estão a colaborar na criação de uma geração de ignorantes que jamais será capaz de pôr o país novamente a flutuar. E acreditem, caros leitores, que os meus receios têm fundamento. Há vinte e cinco anos que ando a virar frangos na feira.

1 comentário:

Liebend disse...

E esses frangos ao menos são bons?=P

Agora escrevendo muito a sério, é realmente vergonhoso aquilo que se passa neste País. Há dias em que me sinto uma autêntica analfabeta e o pior é que sei que não vale a pena pensar em voltar para a escola...

Distraídos crónicos...

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